Por marcello.victor

Rio - Depois do Palácio Guanabara, em Laranjeiras e da Rua Aristides Espíndola, no Leblon, onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral, os protestos contra o governo chegaram a mais um bairro da Zona Sul, na madrugada desta quinta-feira. Cerca de 100 pessoas protestaram em frente ao prédio do Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, na Rua Redentor, em Ipanema. Eles gritaram palavras de ordem, mas acabaram dispersados por jatos d´água e balas de borracha disparados por policiais do Batalhão de Choque da PM. Agências bancárias foram apedrejadas.

Segundo a assessoria de imprensa do governo do Estado do Rio, Cabral convocou uma reunião de emergência no Palácio Guanabara, nesta quinta-feira, às 8h, para tratar do que chamou de ações de vandalismo na Zona Sul. Participarão José Mariano Beltrame, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, o comandante da PM, coronel Erir da Costa Filho, os secretários da Casa Civil, Regis Fichtner, e de Governo, Wilson Carlos Carvalho.

O saldo de mais um protesto que reuniu cerca de mil pessoas e começou no fim da tarde de quarta-feira, na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, na esquina da rua onde mora o governador, foi de pelo menos 15 manifestantes detidos. No total, 14 foram liberados, alguns sob o pagamento de fiança. Dois eram menores de idade. Seis foram autuados por formação de quadrilha e sete foram levados para averiguação na 14ª DP (Leblon). O ato reivindicava a desmilitarização da PM, o fim da privatização do Maracanã, entre outras demandas, e seguia sem registrar incidentes até às 22h30.

Apenas um homem, identificado apenas como Anderson, ficou preso. Ele foi acusado por PMs de estar com uma mochila com três coquetéis molotov. Ele negou a acusação, mas foi autuado por formação de quadrilha e porte de artefato explosivo. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio está tentando um habeas corpus para tentar a soltura dele. Quinze representantes da entidade acompanharam as manifestações, monitorando as ações da PM e dos manifestantes nos protestos.

Segundo a PM, cinco policiais ficaram feridos, entre eles a soldado Larissa, do 23º BPM (Leblon). Atingida nas costas, ela disse ter sido vítima de um rojão. Manifestantes, porém, acreditam que os dois hematomas na policial tenham sido causados por disparos de bala de borracha feito pelo próprio Choque. Pelo menos quatro manifestantes teriam ficado feridos.

Manifestantes em frente ao Batalhão de Choque da PM na rua do governador Sergio CabralAlexandre Vieira / Agência O Dia

O protesto na porta de Beltrame em Ipanema começou depois de mais uma manifestação na Avenida Delfim Moreira, no vizinho bairro do Leblon, na esquina da rua onde mora o governador, no início da noite de quarta-feira. O policiamento foi reforçado e a Aristides Espíndola isolada com grades pela PM. Os manifestantes foram dispersados, mas se espalharam pelas ruas do bairro.

Durante a madrugada, bombeiros apagavam fogueiras feitas pelos manifestantes na Rua Ataulfo de Paiva. A via se transformou em uma cortina de fumaça. Agências bancárias foram apredrejadas. Uma loja de roupas masculinas e outra de bebidas foram arrobadas, saqueadas e depredadas.

Um grupo seguiu para a Rua Visconde de Pirajá, a principal de Ipanema, no início da madrugada. Alguns apedrejaram quatro agências do Banco Itaú, uma do HSBC e uma do Bradesco, apenas no trecho entre a Avenida Henrique Dumont e a Praça Nossa Senhora da Paz.

Taxistas que trabalham num ponto em uma das esquinas da Avenida Ataulfo de Paiva disseram que após o protesto na Avenida Delfim Moreira um grupo de cerca de 100 manifestantes começou a atear fogo em lixeiras, sacos de lixo e madeiras. Segundo eles, a maioria era de jovens moradores da Zona Sul.

"Em seis anos nunca vi nada parecido aqui no Leblon. Toda essa destruição promovida por tão pouca gente", disse ainda surpreso um dos taxistas que preferiu não se identificar por medida de segurança.

Protesto fechou Avenida Delfim MoreiraAlexandre Vieira / Agência O Dia


Rocinha também protesta

Paralelamente ao protesto no Leblon, moradores da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul, promoveram uma manifestação que também teve início no fim da tarde de quarta-feira. Segundo eles, PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade levaram o morador Amarildo de Souza para a base da PM após operação no domingo. Ele teria sido liberado, mas até hoje não voltou para casa. A família registrou queixa na 15ª DP (Gávea). A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado.

Por volta de 20h, 300 moradores fecharam o Túnel Zuzu Angel nos dois sentidos e um trecho da Autoestrada Lagoa-Barra, às margens da Rocinha. A via foi liberada por volta das 20h45. O clima ficou tenso, mas não foram registrados incidentes.

As manifestações em São Conrado e no Leblon tumulturam o trânsito na Zona Sul durante a noite e em trechos da Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

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