Por thiago.antunes

Rio - Um integrante do grupo ativista Anonymous, que não se identificou, comentou a decisão da Polícia Militar de dialogar com ativistas, durante a manifestação desta quinta-feira na Rua Aristides Espínola, onde mora o governador Sérgio Cabral. "A PM está fazendo agora o que deveria ter feito desde sempre. É dever deles garantir nosso direito de protestar", disse o rapaz, que estava com uma máscara do grupo e trabalha na área de saúde.

PMs conversam com manifestantes na rua do governador Sergio CabralAlexandre Vieira / Agência O Dia

Os 700 manifestantes estiveram na Avenida Ataulfo de Paiva, em frente à loja de roupas Toulon, que foi depredada na última manifestação. No local, os presentes gritaram palavras de ordem e fazem uma 'missa' para os manequins que foram colocados na rua no outro protesto. O clima ainda é de tranquilidade.

A Avenida Ataulfo de Paiva ficou interditada entre a Ruas Visconde de Albuquerque e General Artigas. Os manifestantes foram, então, para Copacabana e percorreram diversas vias do bairro. Alguns peregrinos ficaram intimidados com as palavras de ordem vindas do protesto, que xingaram e pediram a saída de Cabral. Outros tiraram fotos. Os ativistas se sentaram no chão da Avenida Atlântica, onde ocorreu a missa do Papa Francisco na praia.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura, continuam interditados os acessos ao bairro pela Francisco Sá, Túnel Velho e pela Enseada de Botafogo, além da Avenida Atlântica, Barata Ribeiro e transversais. O clima ainda é de tranquilidade no local e, até às 23h40 desta quinta, não foram registrados tumultos.

PM usa nova tática e resolve dialogar

A Polícia Militar decidiu adotar uma nova tática nas manifestações pela cidade. Nesta quinta-feira, durante o protesto de ativistas na Rua Aristides Espínola, policiais entraram no meio do protesto e iniciaram um debate com os cerca de 200 manifestantes que estão no local. Os PMs, de vários batalhões, estão identificados por um código de numeração e letras nos coletes e bonés.

Quando os policiais chegaram, foram recebidos com gritos de "Onde está o Amarildo?", em referência ao pedreiro Amarildo de Souza, sumido da Favela da Rocinha após ser levado por PMs da UPP até a base do local. Um movimento na Internet chamado #OPAmarildo juntou roupas, brinquedos e 10 cestas básicas para a família dele. Ninguém quis se identificar, mas todos vão levar os suprimentos para a família de Amarildo na Rocinha ao fim da manifestação.

Segundo o tenente Batista, que comanda a operação, o objetivo da polícia é reprimir atos de vandalismo e não interfirir na manifestação, além de evitar a ação de PMs infiltrados e não identificados. Neste momento, o protesto parou e os ativistas conversam com os policiais perto da Praia do Leblon.

"A polícia está se adaptando, e usou nestas manifestações políticas uma experiência que já tem em eventos culturais e esportivos com multidões. A ideia é trabalhar próximo aos manifestantes para prevenir que as pessoas se utilizem de atos de violência ou vandalismo. Nossa ação visa a garantir inclusive, o direito de manifestação de quem está aqui com o objetivo de violência", disse o tenente-coronel Mauro Andrade, do Estado-Maior.

Em relação aos códigos, Andrade afirmou que a população pode identificar os policiais facilmente. "São várias batalhões, e há vários soldados e cabos em manifestações. Aqui só tem um oficial chamado A14 ou B16. Dessa forma, está garantida a identificação do policial".

Os PMs estão revistando mochilas de todos os presentes, incluindo a imprensa. Veículos que chegam da Av. Niemeyer ao Leblon foram desviados pela Rua Visconde de Albuquerque. Operadores da CET-Rio orientam o tráfego na região que apresenta retenções.


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