Por tamyres.matos

Rio - Um estudante, militante do PSOL, sofreu um sequestro na tarde desta quinta-feira na Tijuca, Zona Norte do Rio. Episódio é semelhante ao que aconteceu na semana passada com o sociólogo Paulo Baía. O rapaz registrou a ocorrência na 18ª DP (Praça da Bandeira). Desde o início da semana, ele alega ter recebido diversas ligações com ameaças sobre sua militância. O estudante foi abordado por quatro homens que o colocaram dentro de um carro. Enquanto rodavam com ele disseram que sabiam que ele tinha procurado ajuda para denunciar as ameaças.

O roteiro do sequestro impressionou os policiais. Na última terça-feira, o estudante Rodrigo Antonio D’Oliveira Graça, de 19 anos, começou a receber ligações telefônicas ameaçadores devido aos textos que postava no Facebook.

Inicialmente, ele deu pouca atenção e imaginou se tratar de trote. Até que sua conta na rede social foi excluída, bem como seu e-mail pessoal. “Pensei que fosse algum erro, mas depois vi que não. Liguei para a minha namorada, contei o que aconteceu e, logo em seguida, recebi outra ligação de um cara dizendo: ‘Ué, agora tá com medo?’. “Ou seja grampearam meu celular”, contou Rodrigo ao DIA.

Na porta da delegacia após prestar queixa%2C Rodrigo mostrou sua blusa rasgada no sequestro-relâmpagoAlexandre Vieira / Agência O Dia

O estudante, então, foi à delegacia na noite de quarta-feira prestar queixa. E recebeu nova ameaça logo após deixar a 18ª DP, desta vez por um SMS que dizia: “Não adianta nos denunciar. As coisas só vão piorar para você".

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o jovem o procurou e contou sobre as ameaças. "Na ocasião, eu até falei com ele que poderia ser um trote de alguém querendo apenas assustá-lo. Eu estou ficando realmente preocupado com isso que está acontecendo. O que fizeram com ele é muito parecido com o que fizeram com o sociólogo da UFRJ. Já avisei até a chefe da Polícia Civil Martha Rocha", finalizou.

No início da noite, ela pediu ao delegado titular da 18ª DP, Fabio Barucke, prioridade total ao caso. 

Sequestro de sociólogo

Numa investida que remete a ações praticadas nos tempos da ditadura, quatro homens armados e encapuzados sequestraram o sociólogo, cientista político e ex-secretário estadual de Direitos Humanos Paulo Baía, na manhã do último dia 19, apenas para dar um recado: “Não dê mais nenhuma entrevista e não cite a Polícia Militar de forma alguma, senão será a última entrevista que o senhor dará”.

O “atentado ao estado democrático de direito”, como definiu o procurador-geral do Ministério Público, Marfan Vieira, com quem Baía se encontrou no início da tarde, foi praticado por um homem negro, um branco e dois pardos, que usavam roupas de moleton com capuz, máscaras de esqui e óculos escuros.

O sociólogo Paulo Baía%2C à direita%2C relata a ameaça ao procurador-geral do Ministério Público%2C Marfan VieiraAlexandre Bum / Agência O Dia

Segundo ele, o motivo da ameaça foi reportagem publicada nesta sexta-feira em ‘O Globo’, na qual Baía afirma que, na manifestação no Leblon de quarta-feira, “a polícia viu o crime acontecendo e não agiu” e que “ o recado da polícia foi o seguinte: agora vou dar porrada em todo mundo.”

Baía foi sequestrado às 7h30m, quando fazia sua caminhada habitual no Aterro, na altura da Rua Buarque de Macedo. Ele foi abordado por dois homens, que mostraram as armas na cintura e o puseram no banco de trás de um Nissan preto sem placa, com vidros fumê. Imagens de câmeras da CET-Rio e de prédios próximos serão requisitadas pela polícia e pelo Ministério Público.

“Foram poucos minutos. Falaram e se calaram, mas percebi que eram bem articulados. Fizeram o retorno e me deixaram em frente à Biblioteca Nacional. Antes de eu sair do carro, só disseram mais uma coisa: “O recado está dado”. Ele diz que nunca recebeu qualquer ameaça e não pretende andar com seguranças.

No fim da tarde, Baía foi ao encontro da chefe de Polícia Civil, Martha Rocha. “O atentado não foi só contra mim. Foi contra a imprensa e a liberdade de expressão também”. Baía diz não saber de quem partiu a decisão de intimidá-lo.

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