Por bferreira

Rio - Alvo de protestos, o governador Sérgio Cabral sentiu o impacto das últimas pesquisas de popularidade. A estratégia agora é ir para as ruas, como fez ontem em visita a Nova Iguaçu, e adotar o discurso da humildade para falar dos erros da gestão. A versão do “Lulinha, Paz e Amor” é uma tentativa de evitar que sua imagem arranhe a candidatura de Pezão em 2014.

Cabral despistou assessores e fez visita fora da agenda a obras do estado em Nova Iguaçu em parceria com a prefeituraDivulgação

O DIA: O senhor vai mesmo sair do cargo em abril, como afirma o presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani?

CABRAL: Não tem nada decidido. Almoçamos juntos (terça-feira) e, como sempre, discutimos, trocamos ideias sobre os planos do partido. Ele, com a visão de presidente do partido, e eu com a visão de quem está governando o estado. São visões distintas...E, como sempre, fizemos avaliando as diversas possibilidades de 2014. Só que, depois que acabou o almoço, eu continuei governando, e ele, administrando o partido. O importante é que há uma coesão em torno do nome do Pezão para sucessão estadual. O partido está muito motivado com a candidatura do Pezão. O partido está muito orgulhoso e com motivo para ir para as ruas e mostrar as conquistas destes sete anos de governo. E para um governador no último mandato, no seu último ano, é sempre objeto de avaliação do partido, do próprio governador e dos seus aliados o que é melhor fazer: permanecer até o final do governo, se desincompatibilizar? Eu, em 2010, quando me reelegi, declarei para a imprensa que eu iria até o final de 2014 e não disputaria nenhuma eleição, e até deixaria a política....Enfim, é uma conversa que sempre tive com meus filhos e minha mulher...Agora, vamos ver o que é o quadro de 2014.

Com a pré-candidatura de Lindbergh Farias, a aliança com o PT está em risco?

Vou trabalhar o máximo para que essa aliança permaneça. O PT está conosco desde 2007, no plano nacional, no plano estadual. Estamos juntos. E, certamente, será um assunto tratado em 2014 com todo respeito.

O que vai pesar na decisão de sair?

A questão que me perguntam muito da popularidade, que isso foi uma decisão aqui, acolá... Não porque nestes sete anos respeito muito pesquisas, avaliação, mas estes sete anos eu vivi todos os tipos de momentos de avaliação: muito positivas, positivas, regulares, negativas. O importante é você saber que está governando, realizando, e que o estado que você encontrou quando assumiu é um estado muito melhor, o povo que você encontrou é um povo muito melhor. Tem serviços públicos de melhor qualidade. Isso tudo conta na avaliação do povo na decisão sucessória. O povo não está pensando na eleição neste momento, nem eu, porque estou pensando em governar. A população está pensando em trabalhar, em viver, e eu estou pensando em governar.

Mas a popularidade do senhor está em baixa...

Na verdade, houve uma queda para todos governantes de um modo geral a partir das grandes manifestações, não destas mais específicas que têm sido feitas em alguns locais do Brasil ou contra governantes locais, neste caso aqui, contra mim. Há um grande questionamento de institucionalidade, de qualidade de serviços públicos. Tudo isso tem que nos levar obrigatoriamente a reflexões, a melhoria das ações governamentais.

Os 12% de ‘ótimo’ e ‘bom’ do governo surpreenderam o senhor?

Não. Eu já vinha acompanhando este processo de queda da popularidade dos governantes do Brasil inteiro. Essas informações vinham chegando. E ficar disputando quem tem 12 (por cento), 15 ou 19 ou 20... Acho que não é...O fato é que todos tiveram uma queda, e a gente tem que encarar com humildade, reflexão. Também já tive outros momentos nestes sete anos de queda de popularidade. Tem sempre que estar avaliando, se reciclando, fazendo autocrítica, olhando para frente...

E Amarildo, onde está?

Ninguém mais do que eu, que o Mariano (José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública), que o (coronel Erir) Costa Filho (comandante da PM), que a Martha (Rocha, chefe da Polícia Civil)... todos nós queremos descobrir onde está Amarildo e também quem são os responsáveis por esta situação. Não há complacência com isso, não há pacto com isso. Estamos muito envolvidos nesta investigação. Outro ponto é lembrar como era a Rocinha antes da UPP. Foram muitos Amarildos que sumiram, muitos Amarildos que morreram, muitos Amarildos que desapareceram. Era o poder paralelo tomando conta com fuzil lá, dando tiro para o alto, descendo, fazendo arruaça.

O senhor tem falado muito em humildade. Há um reconhecimento que faltou diálogo?

Faltou humildade e a capacidade que eu sempre tive, desde que era presidente da Assembleia Legislativa do Rio, de interlocução. Fui formado na democracia, no debate democrático. De repente alguns temas, no caso do Maracanã, do Célio de Barros, do Júlio Delamare, aquilo foi avançado de tal maneira... A gente acha que está com a razão, não houve reflexão na troca de ideia. A gente precisa realmente parar, fazer autocrítica. Tem gente que sempre esteve do meu lado, e eu deixei de trocar ideias. Segmentos corporativos, da sociedade, companheiros... A gente acaba se focando muito na gestão, e quem não parar para fazer autocrítica e se reavaliar...é lamentável. A vida é um eterno aprendizado.

O senhor admite que houve excesso no uso dos helicópteros do Estado?

A determinação partia sempre do Gabinete Militar, porque um governo que faz o que nós fizemos tinha um protocolo de segurança que deveria ser seguido. Então, o que vamos fazer agora é dentro do protocolo de uso adaptar isso da maneira mais correta para que o uso seja mais racional possível.

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