Faixa com pergunta 'Quem Matou Amarildo?' desaparece de passarela na Rocinha

Ao contrário da faixa anterior 'Onde está Amarildo?', que ficou fixada por uma semana, a nova não durou uma noite

Por cadu.bruno

Rio - A faixa “Quem Matou Amarildo?” fixada nesta quinta-feira na passarela da Rocinha pela ONG Rio de Paz sumiu durante a madrugada desta sexta-feira. Ao contrário da faixa anterior “Onde está Amarildo?”, que ficou fixada por uma semana, a nova não durou uma noite. A ONG desconhece o motivo e quem possa ter retirado do local.

Faixa com pergunta 'Quem Matou Amarildo%3F' desaparece de passarela na RocinhaDivulgação

Busca pelo corpo de Amarildo

Policiais civis e militares e promotores públicos estiveram nesta quinta no Lixão de Seropédica fazendo buscas pelo corpo do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido há 26 dias. Uma área de mais de 30 metros quadrados foi separada para os trabalhos, que devem durar seis dias.

Policiais e bombeiros fizeram buscas pelo corpo de Amarildo na Rocinha durante a semanaAlessandro Costa / Agência O Dia

Com ajuda de uma retroescavadeira, montanha de cinco metros de altura de lixo será vasculhada. Amarildo não foi mais visto depois de ser abordado por PMs da UPP da Rocinha, no dia 14, e levado para a sede da unidade.

Esse é o terceiro lugar em que são feitas buscas pelo corpo do pedreiro. No dia 30, policiais da 15ª DP (Gávea) estiveram na Comlurb, no Caju, após receberem denúncia de que o tráfico havia obrigado garis a retirar um corpo da Rocinha. Lá, souberam que os resíduos coletados na favela já haviam sido levados para Seropédica. No início da semana, policiais da Divisão de Homicídios (DH) procuraram por Amarildo numa mata da favela.

Segundo o delegado Ruchester Marreiros, responsável pela operação Paz Armada, que prendeu mês passado mais de 20 bandidos da comunidade, Amarildo era envolvido com o tráfico. Ele afirmou que o pedreiro foi flagrado em duas escutas falando com criminosos e que uma testemunha o ouviu ameaçando morador se ele não quebrasse câmeras da Rocinha.

Racha na polícia

Apesar de Ruchester afirmar que apenas o nome Boi foi citado nas escutas — e que ‘Bete’ foi dito por testemunhas —, ele alega que os nomes correspondem a Elisabete e Amarildo: “Testemunhas os reconheceram como integrantes do tráfico por imagens da mídia”. Ruchester apresentou ontem testemunha que disse ter sido torturada na casa de Bete.

“A testemunha não está identificada nem presta declarações. É preciso saber se eles não foram obrigados pelo tráfico a fazer isso. Não posso corroborar a ideia de que as pessoas que moram perto do tráfico de drogas sejam traficantes. Isso é uma técnica usada na ditadura para desqualificar os desaparecidos”, questionou Zaccone.

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