Escola Friedenreich e antigo Museu do Índio serão preservados

Medida reforça a decisão do governo estadual de suspender as demolições, anunciada no começo do mês

Por tamyres.matos

Rio - O futuro da Escola Municipal Friedenreich e do antigo Museu do Índio ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira. E em prol da preservação, com o tombamento pela Prefeitura do Rio dos dois prédios, publicado no Diário Oficial do município. A medida reforça a decisão do governo estadual de suspender as demolições, anunciada no começo do mês. A prefeitura também cancelou o destombamento do Estádio Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare, revertendo resolução tomada no ano passado.

Os prédios do antigo Museu do Índio, onde se instalou a Aldeia Maracanã, e da escola municipal, assim como os equipamentos esportivos, seriam demolidos para a conclusão das obras do Complexo do Maracanã, como previa o edital de concessão do estádio para exploração pela iniciativa privada. No lugar da Escola Friedenreich, uma das dez melhores instituições públicas do estado no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011, seria construída uma espécie de extensão do Maracanãzinho, com vistas às Olimpíadas de 2016.

O prédio do antigo Museu do Índio%2C onde se instalou a Aldeia Maracanã%3A medidas da prefeitura e do governo estadual para manter o local de pé Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

O presidente da Associação de Pais da Escola Friedenreich, Carlos Sandes, comemorou como um gol do craque que dá nome ao colégio a publicação do tombamento no Diário Oficial. “O prefeito tomou a decisão acertada, atendendo a uma demanda antiga de pais e professores. Nós tínhamos apenas uma resposta via twitter, que é o mesmo que nada. Agora é oficial”, disse Carlos Sandes.

Já a Aldeia Maracanã seria derrubada, sob a alegação de que interferia na modernização do entorno. Porém, no início do mês, o governo estadual determinou que a Secretaria Estadual de Cultura criasse um centro de estudos da cultura indígena no local. O Célio de Barros e o Julio Delamare, por sua vez, serão reformados. Seus modelos de gestão ainda estão sendo estudados.

Com os tombamentos feitos pela prefeitura, uma eventual demolição só será possível a partir de agora com uma autorização dos órgãos públicos municipais de proteção ao patrimônio histórico e cultural da cidade.

Cacique comemora o ‘coroamento de uma luta’

O cacique Carlos, da tribo Tukano, diz que o tombamento do prédio onde fica a Aldeia Maracanã é o coroamento de uma luta. “É uma vitória, um reconhecimento das lideranças e dos políticos do estado de que a história dos indígenas precisa ser respeitada e valorizada. É o começo de uma nova era”, comentou Carlos.

Na própria Aldeia Maracanã, palco de diversos protestos nos últimos meses, os índios e a Secretaria Estadual de Cultura estão definindo o modelo que será adotado na utilização do prédio, que funcionará como um centro de estudos da cultura indígena. “No último sábado, conversamos do meio-dia às 19h e houve um entendimento com o governo estadual”, contou Carlos. “O tombamento de agora dá mais segurança e tranquilidade para nós”

O cacique também informou que estão sendo formados grupos de trabalho, com a presença de indígenas e agentes do governo estadual, para auxiliar as tribos em questões jurídicas. Ele acredita que um novo tipo de relação com o Estado se torne realidade: “Não temo um novo destombamento. O governo nos deu a palavra. Isso é o mais importante”.

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