Rio - A Polícia Militar confirmou nesta sexta-feira, em nota, que quatro PMs do Serviço Reservado (P2) do 41º BPM (Irajá) estavam à paisana durante operação que culminou na morte de mãe e filha no Morro da Quitanda, em Costa Barros, na manhã de quinta-feira. Alessandra de Jesus, de 24 anos, foi baleada na cabeça, e Maria de Fátima de Jesus, 52, no tórax. Ambas foram enterradas na tarde de ontem no Cemitério de Inhaúma. Há a suspeita de que elas tenham sido atingidas por um único tiro de fuzil.
Segundo testemunhas, um bandido passou correndo, quando policiais à paisana teriam atirado em sua direção e atingido Alessandra, que estava com a filha Carolina, 2, no colo, e Maria de Fátima.
Vídeo obtido com exclusividade pelo SBT Rio mostra os corpos de Maria de Fátima de Jesus, de 52 anos, e de Alessandra de Jesus, de 23, logo após o tiroteio na favela. Nas imagens, moradores acusam PMs de não prestar socorro às vítimas.
Alex dos Santos de Jesus, irmão gêmeo de Alessandra, diz não ter dúvidas da autoria do crime. “Várias testemunhas viram PMs à paisana atirando na direção delas. Vamos aguardar o laudo pericial para processar o estado. Minha irmã deixou cinco filhos pequenos e mais uma de criação, que não podem ficar desamparados”.
Segundo a Polícia Militar, os agentes da P2 investigavam denúncias de que moradores estariam sendo maltratados por traficantes da favela. De acordo com a Divisão de Homicídios (DH), responsável pelo caso, além de perícia local, as armas dos policiais foram apreendidas e encaminhadas para confronto balístico, que deve ficar pronto nos próximos dias. Os quatro policiais que estavam à paisana durante a ação e um dos parentes das vítimas já foram ouvidos.
Crianças da comunidade, com cartazes pedindo paz acompanharam o cortejo de mais de 100 pessoas. O grupo cantou hinos evangélicos durante o cortejo e o enterro.
Corpos são sepultados em Inhaúma
Os corpos das vítimas foram sepultados na tarde desta sexta-feira no cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. Cerca de 100 moradores do Morro da Quitanda compareceram. Eles gritavam palavras de ordem e acusaram a polícia de matar as mulheres. Parentes não quiseram falar com jornalistas.
Mais cedo, no Instituto Médico Legal (IML), Alex dos Santos de Jesus, irmão gêmeo de Alessandra, disse que estava no trabalho quando soube da morte daa mãe e da irmã.
"De imediato imaginei que a polícia tinha feito alguma coisa errada na comunidade. Conversei com muitos moradores, e temos muitas testemunhas que teriam presenciado a operação da polícia. Todas as pessoas afirmam que o tiro que matou minha mãe e minha irmã veio da polícia. A localização de onde elas foram baleadas, além da negligência de os PMs terem deixado elas agonizando durante meia hora no local, sem prestar qualquer tipo de socorro, já comprovam o fato", disse.
Família pode processar estado se for confirmado envolvimento dos PMs
De acordo com Alex, a família aguarda apenas o resultado da perícia para comprovar que os policiais tiveram envolvimento com as mortes. Caso seja confirmado que a bala que matou mãe e filha veio por parte da PM, a família das vítimas irá processar o Estado.
"Sei que processar o Estado não vai trazer minha mãe e irmã de volta, mas a minha irmã tinha cinco filhos e queremos uma indenização para as crianças, além da importância de apontar os responsáveis", desabafou.




