PMs são condenados pela morte do menino Juan Moraes

Segundo o promotor Sergio Ricardo Fonseca, a ação dos militares na comunidade foi 'típica de grupo de extermínio'

Por cadu.bruno

Rio - Os quatro policiais militares do 20º BPM (Mesquita) foram condenados pela morte do menino Juan Moraes, de 11 anos, no julgamento na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, que terminou por volta de 4h da madrugada desta sexta-feira.

O sargento Isaías Souza do Carmo e o cabo Rubens da Silva pegaram 36 anos, enquanto o sargento Ubirani Soares recebeu pena de 32 anos. Além do assassinato de Juan, o cabo Edilberto Barros do Nascimento também foi condenado pelo homicídio de Igor Souza Afonso, totalizando pena de 66 anos. Porém, as duas partes afirmaram que vão recorrer da decisão.

Julgamento foi realizado na 4ª Vara Criminal de Nova IguaçuAlessandro Costa / Agência O Dia

O promotor Sergio Ricardo Fonseca, que disse durante a quinta-feira que a ação dos militares na comunidade foi 'típica de grupo de extermínio', recorreu por ser contrário a absolvição de Isaías, Rubens e Ubirani na morte de Igor Souza Afonso. A defesa dos policiais não concordou com a condenação.

"Não é razoável achar que dois policiais sozinhos iriam prender um grupo de traficantes. Mataram quase todo mundo, só tinham quatro pessoas. É para isso que foram lá e conseguiram. A ação deles naquele momento foi típica de grupo de extermínio", acusou o promotor, pedindo a condenação dos réus.

No fim da sua apresentação, o promotor mostrou aos jurados duas imagens, na tentativa de comovê-los: uma era a foto de Juan e a outra, a do crânio dele, que estava no laudo antropológico. "Esse é o Juan agora. Isso é muito doloroso. Não podemos permitir que a polícia haja dessa forma, tem que se pensar antes de agir."

A defesa, por sua vez, tentou desacreditar testemunhas e o Ministério Público. A advogada Glauce Passos, usou o ataque como estratégia. "Ele (promotor) viu alguma coisa que não vi. Talvez só isso explicasse suas convicções. Sua elegância é um obstáculo para que eu mostre a minha natureza. Não existe prova para condenar os senhores, que são inocentes."

O advogado Marco Antônio Gouvea de Faria despejou suas críticas sobre o delegado Ricardo Barbosa, que na época do crime estava na Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense. Ele chamou o julgamento de "engodo" contra seu cliente e disse que o delegado era "burro e despreparado".

Relembre o caso

Os policiais militares Isaias Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva são acusados de dois homicídios dolosos (com intenção de matar) qualificados (motivo torpe e sem chance de defesa das vítimas) contra Igor Souza Afonso e Juan Moares Neves, além de duas tentativas de homicídio doloso, também duplamente qualificado, contra Wesley Felipe Moares da Silva e Wanderson dos Santos de Assis.

Os crimes aconteceram em junho de 2011, durante uma operação do 20°BPM (Mesquita) na Favela Danon, em Nova Iguaçu.

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