'Infelizmente nada foi encontrado', diz delegada sobre buscas por Amarildo

Ação foi motivada por conta de denúncias de moradores. Eles indicavam que o corpo do ajudante de pedreiro poderia estar na comunidade

Por bianca.lobianco

Rio - Terminaram por volta das 15h as buscas pelo corpo do ajudante de pedreiro Amarildo Dias na Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Cerca de 30 policiais da Divisão de Homicídios (DH) e 40 bombeiros iniciaram a procura por volta das 9h desta sexta-feira, mas nada foi encontrado. Uma represa na parte alta da comunidade foi esvaziada há dois dias para facilitar o trabalho.

A delegada responsável pelo caso, Elen Souto, disse que os agentes foram até o local motivados por denúncias de moradores, que indicariam a localização do corpo do homem. "Infelizmente hoje nada foi encontrado, enquanto houver denúncias, a DH vai continuar as buscas", afirmou.

Policiais e bombeiros seguem em busca do corpo de Amarildo na RocinhaAndré Luiz Mello / Agência O Dia

A ação ocorreu na localidade Labourioux e contou com apoio de mergulhadores e cães farejadores. Nada foi encontrado na represa localizada no Labourioux. Os agentes seguiram para uma outra represa, através de uma trilha densa, em direção à sede da UPP da Rocinha.

A viatura oficial da Polícia Militar que servia ao major Edson Santos, um Renault Sandero preto, quando ele era comandante da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, não consta na relação dos carros que estavam na UPP em 14 de julho, dia do desaparecimento de Amarildo. A lista foi encaminhada pelo próprio oficial, em 19 de julho, à 15ª DP (Gávea), que deu início às investigações sobre o sumiço.

O veículo, no entanto, foi flagrado pela câmera que fica na localidade Portão Vermelho, na Rocinha, entrando e saindo do local quatro vezes. A movimentação aconteceu entre 19h43, do dia 14, e 1h07, do dia 15. As imagens constam no relatório da DH sobre o caso.

Como O DIA mostrou no último dia 4, o Sandero do oficial virou alvo da investigação sobre o sumiço de Amarildo. Ele foi periciado para saber se há vestígios biológicos do pedreiro. A Divisão de Homicídios (DH) espera o laudo com o resultado da análise.

A primeira movimentação do Sandero acontece às 19h43 quando ele deixa a base da UPP. O carro sai 18 minutos depois que a viatura 54-6014 chega ao Portão Vermelho com Amarildo — às 19h25, como mostra uma das imagens da câmera, e o retorno ao local acontece às 20h42. O carro deixa novamente a base às 21h09 e volta às 21h45. Às 23h54, o Sandero sai de novo da base da UPP e retorna à 1h07.

Represa foi esvaziada na parte alta da Rocinha%2C mas corpo de Amarildo não foi encontradoAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Nomes de policiais

Além de carros que já eram da UPP, o major Edson informou também dados de cinco viaturas que estavam apoiando a unidade na operação Paz Armada, realizada na Rocinha, no dia anterior, pela 15ª DP. Constam ainda na relação dos veículos os nomes dos policiais que dirigiram a viatura que transportou Amarildo até a sede da UPP.

De acordo com o relatório da DH, no dia 14 , a partir das 21h56, câmeras do Portão Vermelho flagraram vários carros saindo da base da UPP na localidade. O major Edson e nove policiais da UPP estão presos acusados de tortura seguida da morte de Amarildo e ocultação de cadáver.

Contradições nas versões dos oficiais

Apesar de os acusados terem relatado à DH a mesma versão fantasiosa sobre o desaparecimento, investigadores encontraram contradições nos depoimentos de vários deles, incluindo o de Edson.

Durante a reconstituição do caso, o major disse que saiu da base da UPP no Sandero para ir à 15ª DP (Gávea). Em momento similar, segundo a DH, o tenente Luiz Felipe de Medeiros, ex-subcomandante da UPP, contou que usou o mesmo carro para ir ao Laboriaux, na Rocinha.

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