Por thiago.antunes

Rio - Ainda muito abalado, o pedreiro Devanir Costa Filho, 60 anos, recorda os momentos de terror após a colisão seguida de explosão entre o caminhão-tanque e o ônibus onde ele e trabalhadores da construção civil viajavam de Volta Redonda para Valença. Ele lembra de ter visto o caminhão tanque emparelhado com outra carreta, após uma ultrapassagem na Curva do Aterrado, conhecida como Curva da Morte. 

Momentos depois, o caminhão carregado de combustível tombou e atingiu a traseira do ônibus. "
Alguns companheiros estavam dormindo no fundo do ônibus. E nós, estávamos conversando, quando ouvimos um estrondo muito grande. O motorista gritou: 'O caminhão tombou em cima de nós'. Nessa hora o ônibus desceu morro abaixo já pegando fogo. Quando caiu, vi um buraco
na janela. Passei por ele e sai correndo no meio do mato até chegar na estrada. O calor era muito forte. Parecia ataque terrorista", contou. 

Chamas da explosão do acidente atingiram a mata próxima à rodoviaDivulgação

O morador de Valença teve apenas ferimentos leves. Com medo de pegar a estrada todos os dias, Devanir chegou a alugar uma casa em Volta Redonda. Mas no dia do acidente, sentiu vontade de viajar para ver a mãe. "Não sei como consegui escapar de tanto fogo. Graças a Deus, nasci de novo".

Acidente deixou seis mortos e 17 feridos

Morreu, por volta das 14h desta sexta-feira, Marco Antônio Rezende da Silva, 33 anos, a sexta vítima do acidente envolvendo um ônibus e um caminhão-tanque no km 274 da Rodovia BR-393, em Barra do Piraí, na última quarta-feira. Marco estava internado no Hospital São João Batista, em Volta Redonda, e morreu por inalação de vapor quente o que, segundo a unidade de saúde, comprometeu as vias respiratórias da vítima.

Ainda de acordo com o hospital, a vítima ainda apresentou melhora na parte da manhã. A equipe médica planejou uma cirurgia plástica para melhorar o aspecto da pele. O corpo dele será encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Volta Redonda. O acidente ainda deixou 17 feridos.

DNA para identificar vítimas

O acidente ocorreu no trecho conhecido como Curva do Aterrado. Com o choque entre os veículos, o caminhão explodiu e o ônibus saiu da pista. Os corpos das vítimas passarão por exame de DNA para possibilitar a identificação.O coletivo levava funcionários de construção civil que trabalham no projeto Minha Casa Minha Vida, em Volta Redonda, para Valença. Todos os operários da obra seriam moradores de Valença.

A Polícia Rodoviária Federal interditou a pista nos dois sentidos, na altura do resort Aldeia das Águas, pois havia risco de novas explosões. Com o fechamento da rodovia (BR-393), motoristas enfrentaram seis quilômetros de congestionamento em cada lado. O trânsito foi desviado nos quilômetros 285 e 255.

As chamas atingiram a mata próxima à rodovia. Bombeiros dos quartéis de Volta Redonda e Barra do Piraí e equipes de resgate da concessionária Acciona, que administra a rodovia, foram acionados, mas tiveram dificuldades para combater o incêndio. O fogo na mata foi controlado por volta das 20h, mas equipes continuaram no local para combater as chamas no tanque da carreta.

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