Por thiago.antunes

Rio - “O melhor plantão de saúde hoje, no Rio, é o judiciário". A frase do vereador Paulo Pinheiro (Psol) revela a situação emergencial do setor na cidade. Segundo o parlamentar, que é membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, de janeiro a novembro, foram expedidos 3.400 mandados judiciais para internações. Ele aponta ainda a falha na gestão como a principal causa pela crise no setor.

Durante a audiência pública realizada nesta quinta-feira entre o Ministério Público e representantes do Ministério da Saúde e dos governos estadual e municipal, foi divulgada lista das 50 unidades de todas as esferas em estado de emergência.

O levantamento do MP foi realizado entre os dias 12 e 19 de agosto e revela dados assustadores: apenas nesse período, 209 pessoas morreram, sendo 45 delas (22%) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Nestes dias, peritos do órgão também constataram que 27% (220 pessoas) esperavam por uma vaga em leitos para adultos em UTI, enquanto, no mesmo período, havia 32 leitos ociosos, para onde já poderiam ter sido transferidos 14,5% deles.

A Secretaria Municipal de Saúde alegou que “um leito de UTI encontrado desocupado na hora de uma visita dos peritos do MP pode estar, naquele exato momento, em preparação para receber outro doente,ou aguardando paciente transferido pela Central de Regulação e em trânsito da unidade de origem para aquele leito regulado”. Em nota, o órgão disse ainda que é uma atitude inconsequente apontar leitos vazios sem avaliar a situação.
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As secretarias estadual e municipal divulgaram nota informando que os peritos do Grupo de Apoio Técnico (GATE) do Ministério Público — e que elaboraram o relatório — são profissionais do SUS. Afirmaram ainda que eles foram há pouco tempo gestores responsáveis por organizar a regulação nas duas esferas. Também disseram que ao longo dos últimos sete anos, os profissionais dos órgãos têm prestado colaboração com o Ministério Público.
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