Por thiago.antunes
Rio - A Polícia Militar iniciou, nesta quinta-feira, um esquema especial de segurança na Lapa, com foco principal nas noites de sexta e sábado. De segunda a sexta estão previstas equipes de cavalaria (seis cavalos) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) para o patrulhamento nas ruas da região. O reforço de 80 policiais será composto por 50 policiais que antes faziam serviços administrativos, além de 30 do Batalhão de Grandes Eventos. Um total de 20 viaturas vai ser distribuído pela região.
Nas noites de sexta e sábado, além dos cavalos, haverá reforço de uma equipe do Grupamento Tático de Motociclistas, que consiste em três motos com quatro policiais, circulando com mais agilidade pelas ruas – já que a grande quantidade de pessoas nas noites da Lapa dificulta a movimentação de veículos de maior porte.
Policiais revistam moradores de rua no Centro do Rio na madrugada desta quarta-feiraOsvaldo Praddo / Agência O Dia

A coordenação das ações será do 5º BPM (Centro), que já tem feito ações em parceria com Polícia Civil, Guarda Municipal e Secretaria de Desenvolvimento Social na região da Lapa e arredores, acolhendo dependentes químicos e buscando reprimir tráfico e roubo.

Beltrame: 'Problema na Lapa é social'

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Três dias depois do assassinato do comerciário e ex-aluno do Colégio Pedro II, Conrado Chaves da Paz, 19 anos — morto com uma facada no peito, na Avenida Chile —, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que a Lapa é um problema social e não de segurança. “Fiz uma ronda pela Lapa na última noite e em três quarteirões contamos 26 moradores de rua dormindo na região. Eu pergunto: isso é um problema de segurança?”, questionou Beltrame.
Para o secretário, é preciso cobrar a presença da assistência social na região. “Há terrenos baldios e iluminação precária. Não estou dizendo que morador de rua é bandido, mas ali no meio pode haver um usuário de drogas, até mesmo uma pessoa com fome, que comete atos impulsivos. Estas pessoas precisam ser acolhidas”, comentou,em seminário sobre os três anos de criação da UPP do Morro dos Macacos.
Em operação%2C policiais identificam moradores de rua com deficiênciaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Na operação, acompanhada por Beltrame na madrugada desta quarta, foram recolhidos 20 moradores de rua. Com eles foram apreendidos um canivete, um punhal, uma tesoura e um cachimbo para fumar crack. Levados para a 4ª DP (Central do Brasil), três deles aceitaram ir para abrigos da prefeitura. Foi o segundo dia consecutivo da operação realizada na região pela Polícia Militar, Guarda Municipal e Secretaria Municipal de Assistência Social.

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O secretário falou também sobre o Aterro do Flamengo, região onde tem havido uma percepção maior de insegurança. Segundo Beltrame, o local é uma espécie de ‘cidade dormitório’ do Rio, tamanha a quantidade de moradores de rua que vivem no local. “Segurança pública não pode ser vista com um olhar míope. As pessoas querem um policial a cada esquina, mas é preciso que a prefeitura e os órgãos responsáveis façam a sua parte”, completou, durante o evento, realizado no Senac do Riachuelo.