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Caso João Felipe: MP quer aplicação de pena máxima à manicure Suzana

Assassina confessa deve ter sua sentença proferida em janeiro de 2014. Crime ocorreu em Barra do Piraí em abril deste ano

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - O Ministério Público, em suas alegações finais, pediu a aplicação de pena máxima para a manicure Suzana do Carmo Oliveira Figueiredo, de 22 anos, acusada de sequestrar e matar o menino João Felipe Eiras Santana Bichara, de apenas 6 anos, em Barra do Piraí, em março deste ano. A assassina confessa deve ter sua sentença proferida em janeiro de 2014. As informações foram divulgadas na noite desta terça-feira.

Em seu pronunciamento, o MP reafirmou sua convicção de que a conduta da manicure Suzana caracterizou o crime de extorsão mediante sequestro com resultado em morte, concluindo pela necessidade de condenação da ré. O pedido de pena máxima foi embasado, de acordo com a 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Barra do Piraí, "diante das circunstâncias e consequências dos crimes, citando especificamente a covardia, a crueldade e a dissimulação na execução do crime, além da intensa dor causada ao menor e do grande abalo social provocado pelo ocorrido".

Os autos agora seguem para os pronunciamentos finais do assistente de acusação e da defesa. Logo após, serão remetidos ao juízo.

Acusada foi ouvida em novembro

?No dia 13 de novembro, ocorreu a segunda audiência de instrução e julgamento de Suzana, na 1ª Vara Criminal de Barra do Piraí. Na ocasião, além da acusada, também prestaram depoimento os pais de João Felipe, os empresários Aline e Heraldo Bichara Jr., além do taxista Rafael Fernandes, que no dia do crime, sem saber, levou Suzana com o corpo do menino em um lençol do Hotel São Luís para a casa da assassina.

Suzane ouvida na 1ª Vara Criminal de PiraíErnesto Carriço / Agência O Dia

Antes da audiência, emocionado, o avô de João Felipe, Heraldo Bichara, revelou que Aline está grávida de uma menina, que vai nascer no mês que vem e se chamará Amanda. "João Felipe queria ter uma irmã e havia pedido esse nome (Amanda). É nosso conforto nessa longa história de dor", desabafou Heraldo.

O defensor público Marcos Lang, que defende Suzana, criticou o fato de sua cliente ter passado a responder, a pedido do Ministério Público (MP), por extorsão e sequestro, e não por crime contra vida, como no início do processo.

"Ela tinha o direito de ir a júri popular", alegou Lang, reafirmando que a manicure matou João Felipe porque na época sofria de síndrome pós-parto. "Quatro meses antes da morte do menino, Suzana, que estava grávida de Heraldo Jr., abortou a pedido do pai de João Felipe. Quero ver o que os pais vão dizer sobre isso", comentou o defensor pouco antes do início da audiência.

O juiz Maurílio Melo estima que a sentença de Suzana, que pode chegar a 24 anos de prisão, só seja proferida no ano que vem. A segurança do fórum foi reforçada por policiais do 10º BPM (Barra do Piraí), mas não há nenhum sinal de manifestação.

Relembre o caso

No dia 25 de março, Suzana, fingindo ser a mãe do menino ao telefone, inventou que o estudante tinha que ir ao médico e o buscou, de táxi, no colégio. Ela o levou para um hotel, no Centro, onde o asfixiou com uma tolha e o matou. Como a criança tinha urinado e defecado ao ser sufocada, a manicure ainda teve frieza para lavar o cadáver, retirado do hotel também em táxi e escondido na própria casa.

Suzana, que escapou de ser linchada em Barra do Piraí, foi presa no dia do crime. Pouco antes da detenção, ainda acompanhou a mãe do menino na porta da escola e na delegacia, ‘demonstrando’ comoção.

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