Por tamyres.matos

Rio - Sim, eles sabem que só podem fazer campanha a partir de julho. Mas as equipes dos políticos que manifestaram interesse em concorrer ao governo do estado já fazem o dever de casa e vão mapeando os pontos fracos dos pré-candidatos.

A equipe do deputado federal e ex-governador Anthony Garotinho (PR) quer tirar dele a imagem de homem do interior e aproximá-lo de cariocas da gema das classes A e B, fazendo-o, por exemplo, circular mais pela Zona Sul do Rio. Com o Norte Fluminense “dominado”, na opinião de seus colaboradores, o campista precisa se fortalecer na Região dos Lagos, na Baixada Fluminense e em São Gonçalo, que, aliás, é governado por um prefeito do PR, Neilton Mulim.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) sabe que é menos conhecida nas pequenas cidades fluminenses. Na capital, acredita, o reconhecimento de seu nome é imediato porque foi candidata à Prefeitura em 2008.

Pezão (PMDB) e Lindbergh (PT) ainda estão amarrados à aliança que elegeu Cabral. Não se atacam ostensivamente%2C mas já estão na luta para reforçar suas imagensBanco de imagens

Mas, para ela, “independentemente de conhecimento (de seu nome), uma área com tanta desigualdade, em que se deve investir pesado para que se possa acreditar que é possível mudar, é a Região Metropolitana, particularmente, a Baixada”.

Miro Teixeira (Pros), também deputado federal, acha que precisa trabalhar seu nome muito mais numa fatia do eleitorado do que propriamente numa região do estado. O parlamentar acha que, no segmento “com idade entre 16 e 30 anos”, tem que “fazer um trabalho intenso” para mostrar que trabalha em Brasília para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros — fluminenses incluídos, naturalmente.

Miro se refere aos mandatos de deputado federal e do período que ficou à frente do Ministério das Comunicações no primeiro ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, ficar em Brasília o distancia do eleitorado: “Tenho que revisitar o estado.”

O vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) se inclui entre os cinco políticos que afirma ser “igualmente conhecidos em todas as áreas” do estado — além dele próprio, o democrata se refere a Garotinho; ao senador Lindbergh Farias (PT); ao vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB); e ao ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB).

“O problema é de corte. O corte onde hoje tenho menor intenção de voto é exatamente onde eu tinha a maior intenção de voto: nível superior completo”, explica o vereador.

Ele entrega sua estratégia para tentar reverter o quadro: “Fazer memória e mostrar que as ideias são as mesmas e que um ‘momentum’ em 2008 pode ser explicado pelo sacrifício que fiz ao bancar o PAN-2007.”

Cesar completa: “Os recursos aplicados no PAN prejudicaram a conservação.” E encerra, enigmático: “O tempo é o senhor da razão, e o quadro atual no estado e na prefeitura ajudarão muito.”

Crivella concorda com Cesar na parte que lhe diz respeito: “Graças à generosidade do povo fluminense, meu nome é bem aceito em todas as regiões do estado. Isso ficou comprovado em 2010, quando recebi votos (que o elegeram senador) em todos os municípios.” Não, ele não adianta sua estratégia.

Pezão (PMDB) X Lindbergh (PT)

Ainda amarrados à aliança que elegeu Sérgio Cabral, o senador Lindbergh Farias (PT) e o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) não se atacam ostensivamente, mas já estão em campo.

Lindbergh precisa trabalhar seu nome na capital, que só frequentou em campanha quando foi eleito senador em 2010. De lá para cá, seu nome se manteve forte na Região Metropolitana, à exceção da capital — foi prefeito de Nova Iguaçu — e no interior, graças à estratégia do PT em 2012.

Na eleição passada, Lindbergh apareceu à exaustão em programas de TV e rádio de candidatos a prefeito de várias cidades. Nem todos foram eleitos, mas o senador ficou mais conhecido fora da Região Metropolitana.

Pezão, apesar de apresentar índices de intenção de votos abaixo de 10%, explica que as pesquisas apontam que é conhecido por 42% do eleitorado. “Do pobre ao rico, passando pelo evangélico e o católico”, diz ele.

O vice-governador argumenta que não tem faixa específica de eleitores e que há margem para ser mais conhecido. Adversários como Lindbergh, Garotinho e Crivella têm, segundo ele, alto índice de conhecimento. “Mas não estão tão longe de mim nas pesquisas”.

O que pode dar a Pezão vantagem é a chance de assumir o governo em abril, se Cabral sair para concorrer ao Senado. “Se entrar no governo, é claro que fico conhecido rapidamente. Minha aflição é entregar as obras que preciso. A gente tem obras no estado inteiro. Isso dá uma visibilidade grande”.

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