Por adriano.araujo

Rio - Próxima comunidade a ser pacificada, o conjunto de favelas da Maré vai ganhar um complexo escolar municipal. Os prédios serão construídos no terreno perto da Fiocruz, onde, atualmente, ficam contêineres que chegam de navio. A proposta é que o empreendimento seja o modelo de unidades de ensino integral, que tem sete horas de grade curricular normal e mais duas horas de atividades extras, como Educação Artística.

O projeto para a localidade, no entanto, é mais amplo. A Maré ganhará uma mudança no visual, semelhante ao que já vem sendo adotado em bairros das zonas Norte e Oeste, o que inclui obras de calçamento, asfalto, iluminação e drenagem.

A localidade%2C que já conta com 13 escolas convencionais%2C terá novas unidades que serão climatizadasSeverino Silva / Agência O Dia

O conjunto de favelas é formado por 15 comunidades, que têm 77.209 moradores em domicílios particulares permanentes. O secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Teixeira, explicou que a escolha do lugar para implantar o complexo escolar não sinaliza a falta de ensino na região. “Ali é um eixo da Avenida Brasil e abrange vários bairros. É uma forma de atingir um grande grupo de jovens e oferecer a eles um super equipamento escolar”, afirmou ele. A localidade já tem 13 escolas do município, que atendem 7,5 mil estudantes. Os novos colégios são climatizadas e com tratamento acústico. Até 2016, a prefeitura quer implantar o turno único em 35% da rede. Hoje, são apenas 19,5% cobertos.

O planejamento é que os investimentos na Maré sejam mais rápidos que nas outras comunidades pacificadas, já que o estado adiantou a informação que irá ocupar a localidade. “A gente não fica sabendo antes. Não temos informação privilegiada. Mas como eles informaram, já estamos fazendo o levantamento da região, para levar um pacote de mudanças”, afirmou Pedro Paulo.

A UPP Social, que entra com mudanças no setor de serviços e infraestrutura em comunidades tomadas pelas forças de segurança, já movimentou R$ 1,5 bilhão de investimentos diretos do município. De acordo com a presidenta do Instituto Pereira Passos (IPP), Eduarda La Rocque, o número de pessoas atendidas equivale a 37% da quantidade de moradores que vivem e m favelas da cidade.

“O nosso caminho é o diálogo com resultado. A gente identifica as demandas, estabelece uma relação de confiança com a população. Isso não é algo fácil, porque esses moradores tinham uma desconfiança em relação ao setor público, ao que vem de fora. Eram locais isolados, controlados por traficantes”, afirmou ela.

Investimento: R$ 1,4 bilhão

?Até 2016, o município vai construir 250 unidades de ensino que funcionarão em turno único.O valor de investimento é de R$1,4 bilhão. A região do Complexo da Maré, Rocha, Maria da Graça, Jacarezinho, Manguinhos, Madureira e Pavuna terão 25 novas escolas. A Zona Oeste será a maior beneficiada, com 77,1% das novas unidades.

A prefeitura tem 285 unidades escolares em áreas pacificadas. São 116.029 mil alunos espalhados em 170 escolas — sendo 36 em turno único — , 69 creches e 46 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI). O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em regiões com UPP teve maior crescimento, se comparado com o restante da cidade.

De acordo com dados de 2011, no segundo segmento do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), o crescimento de notas foi de 40,6% em relação ao ano de 2009. Em outras regiões, que não pacificadas, o aumento foi de 22,2%.

Você pode gostar