Por bianca.lobianco

Rio - A contagem regressiva, o champagne, a diversão entre amigos e familiares e o pulo das sete ondas vão ter de ficar para depois. Na chegada de 2014, o trabalho soou mais alto que os fogos, festas ou viagens e a virada será mesmo no batente. Como em outros anos, milhares de pessoas estarão de prontidão no Réveillon do Rio. Para uns, nada mais que o dever da profissão. Já para alguns "estreantes" como a médica Nath Thompson, 26, há ainda uma pitada de falta de sorte.

“Preferia não ser eu, mas tem que ter alguém. O pior é que foi na base do sorteio e acabei caindo na virada”, contou a médica, que ficará responsável por pelo menos 14 crianças no Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo, entre o adeus a 2013 e a chegada de 2014.

“No dia 1º vou almoçar com a minha mãe e quem sabe ainda dou um passeio de patins na praia. Tem que tentar compensar, apesar de não ser a mesma coisa que o Natal, quando você tem duas datas”

O chefe do Centro de Operações Rio%2C Pedro Junqueira%2C passa o Ano Novo com os olhos ‘grudados’ nas câmeras de monitoramento da cidadeDivulgação

Mas há quem já tenha se conformado com as missões em datas ingratas. O administrador Pedro Junqueira, 32, por exemplo, preferiria estar em uma praia pouco frequentada no Nordeste ou uma pousada no meio do mato no sul de Minas Gerais. Mas o chefe-executivo do Centro de Operações Rio terá, na verdade, que ficar de olhos bem abertos no movimento dos cariocas durante as festas e deslocamentos das pessoas pelas ruas da cidade. Ao todo, serão 100 pessoas trabalhando na unidade sob seu comando.

“A função que exerço me obriga a abrir mão de eventos dessa natureza. São atribuições do cargo. Falha em alguma linha de transporte, tubulação rompida, qualquer coisa que aconteça estaremos de olho”, completou Pedro, que parte para seu terceiro Revéillon de prontidão e garante que a compreensão da namorada é total.

Para o porteiro Marcos Rodrigues, de 45, o trabalho na virada tem contornos de tortura há alguns anos. Isto porque ele estará a poucos metros da maior festa do Rio, mas não poderá aproveitar. Morador de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, sua “missão” é zelar pela portaria do Edifício Tocantins, na Avenida Atlântica, em Copacabana.

“Será o terceiro ano seguido. Antes, nunca tinha passado trabalhando. Dá vontade de ficar em casa, mas tem que ficar aqui. Mas pelo menos não fico sozinho, tem outros dois funcionários do prédio”, ponderou Pedro, que se lembrou de outras coisas boas do expediente.

“O bom é que o síndico ainda compra carne, refrigerante, e a gente fica fazendo nossa festinha também. E também podemos ver os fogos daqui, bem de pertinho”, acrescentou.

‘Trabalho com a diversão dos outros’

Para alguns, trabalhar não necessariamente significa perder tudo da festa. Principalmente para quem, mesmo de plantão, estará nas areias de Copa. “Trabalho com a diversão dos outros, mas acaba dando para conciliar. Na hora da virada estarei no 'house mix', ali perto do palco, 'sincando' o áudio entre os outros palcos por causa da contagem regressiva”, afirma Anderson Café, 30, produtor técnico dos três palcos de Copacabana.

O porteiro Marcos terá o terceiro Revéillon com a missão de zelar pelo edifício em CopacabanaJoão Laet / Agência O Dia

Sensação semelhante terá Karima Shehata, 25, a cinegrafista da produção da festa na orla carioca. “Tenho orgulho de fazer parte do maior Revéillon do mundo. Na virada estarei filmando a reação das pessoas e isto será mostrado no telão”.

Fogos dão a largada para a corrida da equipe do DIA

Os fogos que começam a estourar à meia-noite darão a largada para a corrida que a equipe do DIA terá de enfrentar para levar as notícias do Revéillon para os leitores, logo na primeira manhã de 2014. Para isso, muitos profissionais do jornal vão pegar no batente enquanto a grande maioria dos cariocas estará celebrando a virada com os amigos e a família.

Gabriel%2C Claudio%2C Luciana%2C Christina%2C Mariana e André na redaçãoAndré Mourão / Agência O Dia

A repórter Luciana Azevedo, do DIA D, vai cobrir seu primeiro Revéillon pelo jornal. “Ah, eu nem fiz planos para esse Ano Novo, mas acho que, se não tivesse que trabalhar, iria passar com amigos em Parati ou até mesmo na Praia de Ipanema”, conta ela, que estará no palco principal da Praia de Copacabana.

Já Christina Nascimento, da editoria Rio de Janeiro, vai participar da cobertura para o jornal pela sétima vez. “Sempre escolho trabalhar nesse período para poder tirar folga no Natal e ficar com a minha que é de outro estado”, diz ela, que vai buscar as histórias da festa fora da Zona Sul. Da mesma editoria, Gabriel Sabóia vai trabalhar junto ao público de Copacabana.

Na redação, o editor André Balocco, o editor-assistente Claudio de Souza e o repórter Flavio Araújo terão a missão de receber o material enviado por fotógrafos e repórteres e editá-lo, com o auxílio da designer Mariana Erthal. Tudo isso, até 1h da manhã. No DIA Online, a maratona continua pela madrugada com o subeditor Bruno Ferreira.


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