Por cadu.bruno

Rio - Na última manhã de 2013, enquanto dezenas de cariocas se aglomeravam em filas para tentar comprar o que sobrou dos lotes de bilhetes do metrô rumo ao festão de Copacabana, cambistas anunciavam, sem o menor pudor, os cartões de passagem na porta da estação da Carioca. O DIA flagrou nesta terça-feira quatro homens fazendo a venda irregular na Avenida Chile, no Centro, a apenas 100 metros de uma cabine e duas viaturas da Polícia Militar.

Do outro lado, no acesso pela Avenida Rio Branco, outros três homens gritavam "bilhete do Réveillon" pela grade do metrô, observados, pelo lado de dentro, por cinco seguranças do local.

Cambistas agindo livremente na Estação da CariocaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Os cambistas não só abordavam quem passava, como anunciavam aos gritos a venda dos bilhetes. "Temos todos os horários, pode escolher se quer ficar lá ou ir e voltar", anunciava um dos homens, que aparentava ter 20 anos. O preço cobrado pelo grupo era quase sete vezes o valor da passagem vendida na bilheteria: enquanto o cartão original de ida e volta custava R$ 6,40, na mão dos cambistas saía por R$ 40.

"Tá salgado o preço, mas lá dentro não tem mais. Pode descer lá que você vai voltar para comprar comigo. Ou então não vai ver os fogos na praia", afirmava o homem. Dentro da estação, uma multidão aguardava na fila sem saber se conseguiria a passagem. Restavam poucas unidades para serem vendidas e somente para o horário de 23h.

O valor anunciado pelo cambista na calçada da estação era de R$ 25 cada um (ida ou volta), totalizando R$ 50. "Vou fazer um desconto para você porque quero ir embora. Já vendi muito hoje", disse o homem. Ao lado dele, outro cambista não escondia a pilha de cartões nas mãos. Em alguns momentos, eles chegavam a disputar possíveis compradores e até a entrar no saguão da estação.

A assessoria do Metrô informou que não pode controlar as pessoas que vendem bilhetes irregularmente fora das estações. Ainda segundo a assessoria do órgão, os seguranças estão orientados a reprimir a venda ilegal dentro das estações. E ressalta que a compra máxima permitida nas bilheterias era de 10 cartões por usuário.

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