Por thiago.antunes

Rio - O deputado Paulo Melo, que é presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e nome forte do PMDB fluminense, está convencido de que a candidatura de Luiz Fernando Pezão vai decolar. Por enquanto, não ataca o PT, que quer o senador Lindbergh Farias candidato ao governo.

Mas faz questão de lembrar ao partido ainda aliado que as vitórias do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff tiveram uma importante contribuição do PMDB do Rio. Quanto ao próprio futuro, o deputado desconversa quando a pergunta é se ele quer se candidatar de novo à presidência da Alerj. Diz que primeiro precisa ganhar a eleição. Paulo Melo quer se reeleger deputado estadual.

'Quando você dilui o processo eleitoral%2C leva vantagem quem está no poder’Ernesto Carriço / Agência O Dia

O DIA: Quem vai ganhar a eleição para governador do Rio?

Paulo Melo: Eu acredito em projeto político. Sempre acreditei no projeto Eduardo Paes desde o começo, quando ele tinha 4%. A eleição se dá no processo eleitoral.

Mas ele não enfrentou nomes como Cesar Maia, Anthony Garotinho, Marcelo Crivella, Lindbergh Farias ...

Ele (Paes) enfrentou o Gabeira. Quem disse que foi fácil? Quase perdemos. Quando você dilui o processo eleitoral, leva vantagem quem está no poder. Outra coisa: você disputa eleição quando tem o que mostrar. As pessoas têm medo de perder o que foi conquistado. O Rio avançou muito. A pessoa que morava embaixo do Pavão Pavãozinho, que não pagava imposto porque era área de risco; no Cantagalo, não pagava imposto e hoje paga sorridente, porque sua propriedade passou a valer. Zona Sul valorizada, Zona Norte ... Quem tinha uma propriedade na Tijuca não tinha nada. A Rua São Miguel era intransitável, as pessoas tinham medo de passar. Mudou. O PMDB fez uma transformação.

As manifestações, as pesquisas, as redes sociais não mostram um carioca tão sorridente...

Respeito muito as redes sociais, mas estamos falando de uma parcela, que tem acesso à Internet. Em Saquarema, hoje, o Pezão não está na frente. Mas faço qualquer aposta de que será o primeiro colocado, como em diversos municípios. No processo eleitoral, todos são pedras e vidraças. É aquela máxima: “chumbo trocado não dói”. Dói sim. No processo eleitoral dói sim.

'O apoio de um partido como o PMDB para a vitória deles (Lula e Dilmala) foi avassalador'Ernesto Carriço / Agência O Dia

O sr. disse que quem está no poder leva vantagem. O senador Lindbergh é do PT, que também está no poder e contribuiu para muitas mudanças no Rio também...

Essa questão se traduz para o local. A prova é a performance da Dilma e do Lula com o apoio do PMDB no Rio. Na minha cidade, eu pedi voto no primeiro turno contra o Lula, e no segundo turno eu pedi para o Lula, convencido pelo governador Sérgio Cabral. Para Dilma, coordenei a campanha na Região dos Lagos com o maior prazer. O apoio de um partido orgânico como o PMDB para a vitória deles foi avassalador, sendo que o governador foi eleito com 67% dos votos.

Cabral tomou a decisão acertada ao anunciar a saída do governo em março?

Claro. Ele é um quadro do PMDB. Fazemos parte de um grupo liderado por ele. O Sérgio é o maior patrimônio que o partido tem. Eu acredito que o momento é conjuntural, não estrutural.

O presidente regional do PT, Washington Quaquá, disse que convidaria o governador para ser candidato a senador na chapa de Lindbergh. O que o sr. achou?

Não posso proibir as pessoas de sonhar. Pode ter até pesadelo. O PT tem uma candidatura, mas não dá para esquecer a história nesses sete anos com a gente. Tenho convicção de que o PT não vai se insurgir contra o PMDB, até porque seria um processo autofágico. PT tem Secretaria do Meio Ambiente, não tem ninguém indicado pelo PMDB. O governador dá total liberdade aos secretários. O deputado Zaqueu Teixeira é secretário de Assistência Social e Direitos Humanos e tem sido um grande companheiro nosso. Vai falar do Meio Ambiente? A secretaria, desde o primeiro dia, é do PT.

A Assembleia foi o primeiro lugar onde ocorreram protestos violentos. E o governador do Rio foi o político mais criticado, até em São Paulo. A que o senhor atribuiu esse desgaste, se houve tantos fatos positivos no governo?

As manifestações começaram com a repulsa da sociedade às práticas políticas. No começo, não era “Derruba Cabral”, “Fora Eduardo Paes”. Não aceito chamar aquilo que aconteceu aqui e no Leblon de manifestação. Na casa do governador aceito, mas acho um equívoco. O governador é uma figura jurídica, proteste em frente ao palácio. Acho justo protestarem aqui. Aqui é o CNPJ, não é o CPF de ninguém. Agora, dizer para mim que quebrar lojas, roubar, saquear, é protesto? Qual a diferença entre um arrastão na avenida Brasil em frente à favela da Maré, do arrastão no Leblon? A cor? O nível social? O nível intelectual? Qual a diferença daqueles bandidos que nós enfrentamos com as UPPs desses manifestantes que estão vindo agora? Qual a diferença? A diferença é porque queimaram numa manifestação política?

Se as manifestações foram manipuladas politicamente, quem está por trás?

Partidos políticos, vandalismo, pessoas ligadas ao crime. Esse negócio de “Fora UPP” não tenha dúvida... Foram inclusive pegas pessoas. Esse quebra quebra prestou um desserviço à democracia, pois afastou das ruas os verdadeiros manifestantes. Quem manifestava e estava lá “Fora Cabral”, “Paulo Melo é isso e aquilo” ... era legítimo. Agora, destruir as coisas, roubar... Eu até aceitaria, num esgarçamento das relações, a coisa de destruir. Mas roubar ... Vir especificamente para roubar ...

Se as manifestações voltarem, que papel a Assembleia pode cumprir?

Dialogar, sempre. Com alguns setores eu me nego sempre. Na primeira vez que invadiram a Assembleia, eu determinei que tirassem da Assembleia. Aqui tem hora para funcionar, hora para abrir e para fechar. Está aberta para as pessoas frequentarem na hora em que abre, e está convidando a saírem na hora em que fecha. Por que ninguém invadiu o Judiciário e o Ministério Público?

'O Sérgio (Cabral) é o maior patrimônio que o partido tem. O momento é conjuntural'Ernesto Carriço / Agência O Dia

Cabral não corre um risco grande de ser derrotado para o Senado?

Não acho. Só tem um lugar onde seis ganham de cem: filme de kung fu. Uma campanha para o Senado é de grupo, consistência, militância. Vê a brilhante campanha feita pelo Picciani. Grupo. Nós temos prefeitos. Hoje, o Pezão não ganha em Saquarema. Como é feita a pesquisa? Pergunta se o cara sabe que dia é a eleição para governador, se tem um candidato? E que candidato é esse? O senhor votaria no candidato Sérgio Cabral? Não. Mas ninguém pergunta se votaria no candidato do Paulo Melo.

Qual é a principal discussão que a Assembleia vai ter esse ano?

Serão planos de cargos e salários. O grande momento vai ser a construção do prédio do Legislativo, com economias nossas. Não se sabe ainda o preço, mas hoje temos R$ 200 milhões de economias depositadas no cofre da Assembleia. Isso aqui (Palácio) é um patrimônio da humanidade, tem que ser preservado. Tem que ser entregue para uso da cultura, uso da história. Não tem sentido isso aqui ser o Parlamento. Vai ser na Cidade Nova. Já teve a licitação para contratação do escritório para fazer o projeto executivo. Depois, vamos fazer a licitação para a construção do prédio. Dois anos para (o prédio) ficar pronto. O projeto deve ficar pronto antes do fim do primeiro semestre desse ano. É o terreno do lado do COI (Comitê Olímpico Internacional). O governador nos deu 70% do terreno, 30% nós estamos comprando do Fundo de Previdência dos Servidores do Município.

O senhor vai disputar a presidência da Assembleia de novo?

Vou disputar a eleição (para deputado estadual). Antes de qualquer sonho além desse, tenho que ganhar a eleição. Tem que ganhar, ter base política.

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