Prefeito quer Pedro Paulo eleito seu sucessor em 2016

Paes defende o chefe da Casa Civil como pré-candidato. Mas só se Sérgio Cabral não quiser

Por tamyres.matos

Rio - Todo mundo ainda planejando 2014, ansioso para saber o que a festa da democracia reserva para o Estado do Rio em outubro, e o prefeito Eduardo Paes (PMDB) já está em 2016. “Meu candidato é o Pedro Paulo (Teixeira, deputado federal licenciado do PMDB e secretário-chefe da Casa Civil). Com a condição de que o Sérgio Cabral não queira ser candidato à minha sucessão.” Hein?

Sim, é o que parece. Mais bem humorado do que de costume, o prefeito confirmou nesta sexta-feira ao DIA que seu braço direito no comando da cidade é mesmo o nome que ele vai defender no PMDB, a partir de 2015, para ser o candidato à sua sucessão. Mas veio com essa novidade de dizer que Cabral é que seria o ideal, mesmo se for eleito senador este ano.

Sobre a possibilidade de o governador topar concorrer à Prefeitura do Rio em 2016, o prefeito aconselhou, docemente: “Dr. Pedro Paulo; Dr. (Jorge) Picciani (presidente regional do PMDB no Rio); Dr. (Rodrigo) Bethlem (secretário municipal de Governo); Dr. Leonardo (Picciani, deputado federal, filho de Jorge); quem estiver sonhando do meu lado; vão catar coquinho na esquina.” (Avisei que o homem estava absurdamente bem humorado, não avisei?) Mas, enfim, além de Pedro Paulo — que acompanhou a entrevista, no gabinete de Paes —, Leonardo Picciani e Rodrigo Bethlem também figuram na lista de virtuais candidatos à sucessão do prefeito.

Braço direito do prefeito%2C Pedro Paulo foi eleito deputado federal pelo PMDB em 2010 com 105.406 votos. Em outubro%2C tentará se reelegerEstefan Radovicz / Agência O Dia

Quando a pergunta é sobre o que o governador acha da ideia, Paes reconheceu: “Ele não admite a hipótese.” Já falei que enlouquecer jornalista é praticamente um hobby do prefeito?

Para Paes, Pedro Paulo “sai com uma vantagem desgraçada” por ser o seu escolhido para as urnas, mas tem um desafio importante pela frente: “Além de ser meu candidato, ele tem que ser o do partido. Ou ele é o candidato do partido ou não é candidato.” O braço direito se manifestou: “E, depois, tenho que ser o candidato dos aliados.”

Pois é, Eduardo Paes agora é um homem de partido: “Resolvi virar um cara partidário. Na posição que eu tenho, não dá para eu ficar desestimulando o fortalecimento dos partidos brasileiros.” Aprendeu, ao longo da carreira, que o chamado ‘candidato de um só’ não vai a lugar nenhum num partido — muito menos no PMDB,diga-se.

Talvez por isso, enquanto falava comb O DIA, Paes tenha se dirigido mais de uma vez ao seu chefe da Casa Civil para lembrar que “qualquer pessoa que queira se candidatar a prefeito tem que conquistar o (Jorge) Picciani”. E admitiu, com uma franqueza quase comovente: “Nem eu, nem Cabral temos vocação para cuidar da estrutura partidária.” Jura?

P.S.: Não, eu não perguntei se Paes aprendeu isso tudo com o ex-prefeito e vereador Cesar Maia (DEM), que o iniciou na carreira política. Para que acabar com o humor de um entrevistado que estava especialmente inspirado, me diz?

‘A chance de sair do PMDB é zero’

Quando diz que quem quiser concorrer à sua sucessão pelo PMDB tem que “conquistar Picciani”, o prefeito Eduardo Paes sabe que tem pela frente uma batalha para emplacar Pedro Paulo como o candidato oficial. Não se pode perder de vista que um dos nomes que está no páreo é filho do presidente regional do partido no Rio.

Mas Paes também sabe que o apoio incondicional que está garantindo ao vice-governador Luiz Fernando Pezão este ano vale ouro. Some-se a isso a fidelidade que demonstrou publicamente ano passado quando Sérgio Cabral passou maus pedaços ‘apanhando’ da ‘voz das ruas’.

Noves fora, zero, o prefeito saberá cobrar ‘gratidão’ do partido cujo desgaste muita gente aposta que é irreversível. Paes sabe que o PMDB não tem saída a não ser continuar unido para fazer seu sucessor. Aliás, agora, tem gente apostando que Paes planeja partir com seu grupo do PMDB ano que vem. Mas ele garantiu: “A chance de sair do PMDB é zero.”

No PMDB, o que corre nos bastidores é que, no ano passado, quando parecia que o partido não se manteria unido, o senador Lindbergh Farias (PT) acabou ajudando involuntariamente. Reza a lenda que, quando o petista fez um programa de TV provocando o governo de Cabral, a raiva foi tanta que uniu a turma de novo. Não, eu não inventei isso.

PT anuncia neste sábado saída do governo

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, estará no Rio hoje para encontro com o diretório regional do partido. A promessa é que seja anunciada a data de saída do partido do governo Sérgio Cabral.

Rui quer que o partido fique até março, mês em que Pezão assumirá o cargo de Cabral. O presidente regional do PT, Washington Quaquá, gostaria que o desembarque fosse este mês. Mas reafirmou nesta sexta que não vai causar “constrangimento” e vai aceitar ficar mais um pouco.

Quaquá também vai dizer que, mesmo no governo, o PT vai convocar para fevereiro um ato público para reunir mais de 10 mil militantes no Centro na pré-campanha de Lindbergh. O PT deve deixar claro que, mesmo no mesmo governo, as duas legendas já estão, na prática, em campos opostos.

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