Por bianca.lobianco

Rio - A Prefeitura de Araruama, na Região dos Lagos, vive um impasse e está temporariamente sem comando. Nesta quarta-feira, o Ministério Público obteve uma limitar pedindo o afastamento do prefeito, Miguel Jeovani (PR), devido à suspeita de fraude na licitação de compra de merenda para as escolas do município.

Além do prefeito, a liminar afastou outros sete funcionários, incluindo a secretária de Educação, Berta Antunes, o procurador-geral do município e integrantes do setor de licitações do executivo municipal. Ao todo, 20 pessoas são investigadas. O prefeito já recorreu da decisão, pedindo retorno. E a resposta deve ser dada até desta quarta-feira segundo o advogado dele. O vice Anderson Moura assumirá o cargo, caso em 48 horas a questão não seja definida. A Câmara de Vereadores também está em recesso parlamentar.

Prefeito de Araruama%2C Miguel Jeovani%2C saiu rindo da prefeitura ao ser afastado do cargo pela JustiçaRafael Gonzaga / Agência O Dia

Logo no início da manhã da terça-feira, 33 agentes do Grupo de Apoio aos Promotores de Justiça (GAP) do MP interditaram a sede da prefeitura para cumprir mandados de busca e apreensão na tentativa de recolher materiais que estavam dentro do prédio.

O objetivo dos promotores era a localização de documentos e computadores que possam auxiliar o inquérito instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça e Tutela Coletiva do Núcleo de Araruama, onde as irregularidades são investigadas desde o ano passado.

Além da prefeitura, os agentes também foram até escritórios das empresas e residências dos envolvidos. A suspeita é de que as licitações teriam sido fechadas em uma combinação entre sete empresas. Todas as acusações são negadas pela defesa da prefeitura.

Agentes de grupo de apoio ao Ministério Público apreendem material na prefeitura%2C como computadoresRafael Gonzaga / Agência O Dia

De acordo com o advogado Carlos Magno, que está defendendo Jeovani, não há provas envolvendo o prefeito no esquema. “Entendemos que essa diligência foi praticada irregularmente, e o afastamento do prefeito de maneira liminar é açodado e grave. O inquérito está em fase de apuração, entendemos que a decisão foi precipitada”, defendeu Magno.

Além do afastamento, a Justiça também determinou a indisponibilidade dos bens do prefeito, da secretária de Educação e de outros quatro funcionários.

A assessoria de imprensa da prefeitura disse que o prefeito fará uma entrevista coletiva hoje pela manhã. Nesta terça-feira, ele publicou uma mensagem em uma rede social: “Estou no prédio da Prefeitura Municipal de Araruama desde às 9h da manhã acompanhando o trabalho que está sendo realizado pelo MP no interior do prédio. Agradeço as mensagens de apoio” disse o prefeito.

Acusado está na campanha de Garotinho

O prefeito Miguel Jeovani assumiu o seu primeiro mandato na prefeitura de Araruama no ano passado após ter sido eleito com 49,65% dos votos válidos. Em pouco mais de um ano, ele já se envolveu em ao menos duas polêmicas na cidade.

No ano passado, foi investigado por compra de votos na eleição de 2012. E, em meados de janeiro deste ano, conseguiu uma decisão na Justiça do Rio para retirar do ar a página do grupo ‘Jornais de Araruama’, do Facebook. No espaço, criado em 2011, cerca de 10 mil pessoas compartilhavam informações e denúncias sobre a cidade.

Aliados de Jeovani alegam que as denúncias já fazem parte do cenário eleitoral deste ano. De acordo com eles, a ação visa a atingir o prefeito, que foi anunciado como vice-presidente do PR do Rio e principal nome da coordenação de campanha de Anthony Garotinho (PR) ao governado do estado. Candidato a deputado estadual em 2010, Jeovani foi eleito e se tornou o mais novo deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio.

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