Por bianca.lobianco
Publicado 03/02/2014 15:27 | Atualizado 03/02/2014 15:35

Rio - Apesar do reforço de policiamento no Parque Proletário, um dia depois da morte de uma soldado da PM na comunidade, parte do comércio da região no Complexo da Penha, na Zona Norte, está fechado. Segundo um comerciante, um aviso dos traficantes de que um novo ataque ocorreria na tarde desta segunda-feira fizeram os profissionais fecharem as portas. A localidade, segundo ele, chamada de Parque Proletário, está sendo chamada de Parque Problemático, devido ao índice de confrontos na região.

Um policial militar que não quis ter sua identidade revelada denunciou que os PMs estão trabalhando sem reforço de fuzis. Muitos dos militares ficam armados apenas com pistolas. 

Comércio fechado no Parque ProletárioCarlos Moraes / Agência O Dia

O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), foi ao local do crime nesta segunda acompanhado por cerca de 50 agentes. Eles distribuíram panfletos que pedem a colaboração de moradores na busca por traficantes envolvidos no caso.

Barbosa disse ainda que pediu imagens das câmeras de segurança que ficam em frente à base policial. "Não descartamos a possibilidade desses ataques serem feitos para enfraquecer a política de pacificação", afirmou o delegado.

Segurança é reforçada no Parque Proletário após morte de uma soldado PM na comunidadeCarlos Moraes / Agência O Dia

Operação em 12 comunidades da Região Metropolitana

O coronel Cláudio Lima Freire, subcoordenador de Polícia Pacificadora, disse que a ação dos bandidos foi dissimulada e covarde. "Eles não agiram de forma ousada, descendo do carro e atacando a base da UPP, eles simplesmente passaram em alta velocidade numa via de grande mobilidade e fizeram um atentado contra policiais", disse. De acordo com o coronel Lima Freire, o comando de Polícia Pacificadora dispões hoje de 9,2 mil homens, que podem ser remanejados conforme a necessidade.

Freire acrescentou que nesta segunda-feira a polícia realiza operação no Rio, Baixada Fluminense e Niterói em combate ao Comando Vermelho. A ação é conjunto das policiais Civil e Militar em 12 comunidades da Região Metropolitana, que é dominada facção criminosa. Agentes da Secretaria de Segurança obtiveram informações de que os bandidos planejavam um ato orquestrado nesta segunda-feira em áreas de comunidades pacificadas.

"Sempre que houver atentados, a resposta será à altura", disse ele. Ainda de acordo com o coronel, a delegacia de Roubos e furtos ja apreendeu um veículo que pode ter sido usado no ataque.

Blindagem dos contêiners

Em relação ao fato de os conteiners não serem blindados, Lima Freire considera o fato como uma contradição. "A base da UPP nunca fica sem guarnição. Sempre há um revezamento para que os policiais que estão dentro da base fiquem resguardados", disse.

"Dentro dos projetos de reestruturação, pode ser reproposto a blindagem dos contêiners em áreas com incidência de ataque", concluiu.

Segurança é reforçada no Parque Proletário após ataques contra PMsCarlos Moraes / Agência O Dia

Clima tenso na comunidade

O clima na comunidade é de apreensão e moradores evitam falar com a imprensa. "Estava perto do tiroteio ontem e não houve tempo de reação. Infelizmente houve feridos. Muitas pessoas se esconderam dentro de um mercado", disse um morador, que preferiu não se identificar.

Segundo policiais, cinco agentes faziam patrulhamento na Praça São Lucas, por volta das 15h, quando bandidos armados com fuzis calibre 5.56 e a bordo de um carro abriram fogo. Os agentes reagiram e houve troca de tiros. Alda Castilhos, de 28 anos, foi atingida na barriga e seu colega de farda, Marcelo Gilliard, foi ferido na perna. Ele estava dentro do contêiner da UPP, já a soldado estava na rua.

Baleada%2C a soldado Alda chegou a ser operada%2C mas não resistiuReprodução

 Eles foram retirados do local por policiais da UPP, que chegaram a fazer disparos de fuzil para o alto do morro. A imagem foi registrada em vídeo e divulgada em rede social na internet.

A soldado Alda ainda chegou a ser operada, mas morreu no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Já o soldado Gilliard, fez uma cirurgia para a retirada de projétil que atingiu sua perna. Até a noite de ontem, a informação era de que o disparo não atingiu nenhuma artéria.

O local foi isolado e periciado. Marcas de tiro ficaram nas paredes da unidade, assim como um rastro de sangue que, segundo PMs, teria sido deixado pelo policial Marcelo, quando ele tentou entrar no local já ferido.

Um casal que estava num Marea branco, estacionado na praça, também foi alvejado. Elaine Ribeiro de Albuquerque foi baleada na cabeça e está internada no Getúlio Vargas em estado gravíssimo. Antônio Marco Travasso de Albuquerque, 35, foi atingido no ombro, medicado e liberado.

“Fui buscar uma bolsa dentro da loja que tenho, em frente ao contêiner. Meu filho de 15 anos estava lá dentro. Quando fui manobrar o carro, levei o tiro”, contou Antônio. O adolescente nada sofreu. O delegado André descarta a hipótese de o casal ter sido baleado pelos PMs.

A soldado Alda cursava Psicologia e estava noiva desde julho. Amigos dela se revoltaram com o crime e fizeram desabafos nas redes sociais. “Mais uma amiga de farda morta. Aonde vamos parar?”, escreveu um amigo da policial.



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