Por thiago.antunes

Rio - A soldado Alda Castilhos, 28 anos, morta com um tiro na barriga durante ataque de bandidos à UPP Parque Proletário, no Complexo da Penha, foi enterrada na tarde desta segunda-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. Parentes e amigos compareceram ao cortejo da policial, que estava na rua quando foi atingida. 

Alda cursava Psicologia e estava noiva desde julho. Amigos dela se revoltaram com o crime e fizeram desabafos nas redes sociais. “Mais uma amiga de farda morta. Aonde vamos parar?”, escreveu um amigo da policial.

Baleada%2C a soldado Alda chegou a ser operada%2C mas não resistiuReprodução

Ataque de bandidos

Segundo policiais, cinco agentes faziam patrulhamento na Praça São Lucas, por volta das 15h, quando bandidos armados com fuzis calibre 5.56 e a bordo de um carro abriram fogo. Os agentes reagiram e houve troca de tiros. Alda foi atingida na barriga e seu colega de farda, Marcelo Gilliard, foi ferido na perna. Ele estava dentro do contêiner da UPP.

Eles foram retirados do local por policiais da UPP, que chegaram a fazer disparos de fuzil para o alto do morro. A imagem foi registrada em vídeo e divulgada em rede social na internet.

A soldado ainda chegou a ser operada, mas morreu no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Já o soldado Gilliard, fez uma cirurgia para a retirada de projétil que atingiu sua perna. Até a noite de ontem, a informação era de que o disparo não atingiu nenhuma artéria. O local foi isolado e periciado. Marcas de tiro ficaram nas paredes da unidade, assim como um rastro de sangue que, segundo PMs, teria sido deixado pelo policial Marcelo, quando ele tentou entrar no local já ferido.

Um casal que estava num Marea branco, estacionado na praça, também foi alvejado. Elaine Ribeiro de Albuquerque foi baleada na cabeça e está internada no Getúlio Vargas em estado gravíssimo. Antônio Marco Travasso de Albuquerque, 35, foi atingido no ombro, medicado e liberado.

“Fui buscar uma bolsa dentro da loja que tenho, em frente ao contêiner. Meu filho de 15 anos estava lá dentro. Quando fui manobrar o carro, levei o tiro”, contou Antônio. O adolescente nada sofreu. O delegado André descarta a hipótese de o casal ter sido baleado pelos PMs.

Policiamento reforçado

O policiamento está reforçado na manhã desta segunda-feira no Parque Proletário. O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), foi ao local do crime acompanhado por cerca de 50 agentes. Eles distribuíram panfletos que pedem a colaboração de moradores na busca por traficantes envolvidos no caso.

Segurança é reforçada no Parque Proletário após morte de uma soldado PM na comunidadeCarlos Moraes / Agência O Dia

Barbosa disse ainda que pediu imagens das câmeras de segurança que ficam em frente à base policial. "Não descartamos a possibilidade desses ataques serem feitos para enfraquecer a política de pacificação", afirmou o delegado.

O coronel Cláudio Lima Freire, subcoordenador de Polícia Pacificadora, disse que a ação dos bandidos foi dissimulada e covarde. "Eles não agiram de forma ousada, descendo do carro e atacando a base da UPP, eles simplesmente passaram em alta velocidade numa via de grande mobilidade e fizeram um atentado contra policiais", disse. De acordo com o coronel Lima Freire, o comando de Polícia Pacificadora dispões hoje de 9,2 mil homens, que podem ser remanejados conforme a necessidade.

Freire acrescentou que nesta segunda-feira a polícia realiza operação no Rio, Baixada Fluminense e Niterói em combate ao Comando Vermelho. A ação é conjunto das policiais Civil e Militar em 12 comunidades da Região Metropolitana, que é dominada facção criminosa. Agentes da Secretaria de Segurança obtiveram informações de que os bandidos planejavam um ato orquestrado nesta segunda-feira em áreas de comunidades pacificadas.

Traficantes efetuaram disparos contra os PMs que estavam lotados na UPP do Parque ProletárioFernando Souza / Agência O Dia

"Sempre que houver atentados, a resposta será à altura", disse ele. Ainda de acordo com o coronel, a delegacia de Roubos e furtos ja apreendeu um veículo que pode ter sido usado no ataque.

Blindagem dos contêiners

Em relação ao fato de os conteiners não serem blindados, Lima Freire considera o fato como uma contradição. "A base da UPP nunca fica sem guarnição. Sempre há um revezamento para que os policiais que estão dentro da base fiquem resguardados", disse.

"Dentro dos projetos de reestruturação, pode ser reproposto a blindagem dos contêiners em áreas com incidência de ataque", concluiu.

O clima na comunidade é de apreensão e moradores evitam falar com a imprensa. "Estava perto do tiroteio ontem e não houve tempo de reação. Infelizmente houve feridos. Muitas pessoas se esconderam dentro de um mercado", disse um morador, que preferiu não se identificar.

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