Por thiago.antunes

Rio - Policiais da 9ª DP (Catete) começaram a identificar e a investigar ontem os primeiros suspeitos de integrar grupo de jovens intitulado ‘Os Justiceiros’. De classe média, eles atuam no Flamengo perseguindo e agredindo supostos criminosos que estariam cometendo roubos e furtos na região sob a omissão da polícia.

Jovem foi preso pelo pescoço por uma trava de bicletaReprodução Internet

A polícia investiga se foram eles os responsáveis por torturar e amarrar a um poste, com uma trava de bicicleta, o jovem de 15 anos acusado por moradores de cometer vários crimes na região.

Lucas Correia Felício, de 22 anos, e Ricardo de Carvalho Matos, de 29 anos, foram detidos na noite de segunda-feira, no Aterro, por policiais do 2º BPM (Botafogo) com outros 12 rapazes, um deles menor de idade. Lucas mora no Flamengo, e Ricardo, no Humaitá. Os outros, em Botafogo, Leme e Laranjeiras. Como ninguém tinha passagem pela polícia, todos foram liberados. Mas foi aberto um inquérito de formação de quadrilha e corrupção de menores para apurar a conduta dos jovens.

Segundo a polícia, em depoimento, apenas Lucas e Ricardo confessaram que fazem parte de um grupo que atua na região seguindo infratores com o objetivo de agredi-los — mas não disseram se prenderam o jovem no poste. Em depoimento, eles contaram que passaram a agir pelo bairro após as inúmeras reclamações de moradores da região com medo da violência.

Os dois contaram ainda que, minutos antes de ser pego pela PM, o grupo tentou impedir que ciclistas andassem pelo Aterro. Segundo Lucas e Ricardo, o ponto de encontro do grupo é na Praça São Salvador. A polícia agora está em busca do menor torturado. Ela já foi identificado. É morador de Cosmos, na Zona Oeste, mas está desaparecido desde que deixou o Hospital Souza Aguiar, no Centro, para onde foi levado após ser socorrido pela coordenadora do Projeto Uerê, Yvonne Bezerra de Mello. Ele tem passagens na polícia por furto, roubo e lesão corporal.

Yvonne postou no Facebook a foto do jovem amarrado, e rapidamente o caso teve repercussão. No entanto, não procurou a polícia para registrar o fato. Ela será intimada a depor na 9ª DP. O caso foi registrado como lesão corporal após a delegada Monique Vidal tomar conhecimento do fato pela mídia. “Precisamos reunir provas que comprovem a participação desses jovens nesse ou em outros casos. Temos que encontrar esse rapaz para que ele nos ajude a identificar os agressores”, disse Monique.

Os 14 jovens estavam no Aterro do Flamengo quando foram detidosReprodução

Declaração divide opiniões na rede

Na página do Facebook ‘Bairro Flamengo’, Lucas Felício publicou, segunda-feira, a foto do rapaz amarrado ao poste com o seguinte comentário: “Você economiza o ano todo pra comprar um iPhone e vem um ‘fdp’ e te rouba ou pior te rouba e ainda te enfia faca... Os que são presos pegam um ano no máximo e ‘tão’ na rua de novo fazendo merda. Agora, quando você pega um e enfia porrada ou mata são os coitadinhos, né? Porque não tiveram chance na vida, né? Vai toma no c., Direitos Humanos é o c.! Porrada na vagabundagem mesmo.”

A postagem gerou indignação em alguns, mas teve apoio de outros. Procurado pelo DIA, Lucas não quis dar declarações sobre o caso e Ricardo não estava em casa. Policiais da 9ª DP (Catete) investigam ainda o assalto ao restaurante Fagulha, na Rua Conde Baependi, em Laranjeiras, na manhã de ontem. Três bandidos chegaram às 6h30, renderam o gerente e entraram no restaurante. Outros funcionários também foram rendidos à medida que iam chegando. A

s vítimas ficaram sob poder dos bandidos até as 9h. Na fuga, eles levaram celulares e máquinas, com valor estimado em R$ 3 mil, que pertenciam a um serralheiro. “Na hora deu medo de morrer”, contou o copeiro, de 27 anos, que não quis se identificar. Também na manhã de ontem, guardas municipais prenderam dois homens, acusados de assaltar pedestres na Praia do Flamengo. Com eles foram apreendidas duas facas. Além dos presos, outros moradores de rua também foram levados para a 9ª DP (Catete), mas foram liberados.

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