'Fizeram ele ajoelhar e atiraram na cabeça', diz pai de jovem morto no São João

Segundo parentes, rapaz foi assassinado por PMs. Revoltados, moradores incendiaram dois ônibus e fecharam via na Zona Norte

Por thiago.antunes

Rio - Uma operação da Polícia Militar no Morro São João, no Engenho Novo, terminou com um um jovem morto, nesta quarta-feira à noite. A vítima foi identificada como José Carlos Lopes Junior, que, coincidentemente, morreu no dia do aniversário de 19 anos. Após o intenso tiroteio, dezenas de moradores da favela, que conta com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde janeiro de 2011, fecharam a Rua Barão de Bom Retiro, onde incendiaram dois ônibus.

Na ação, as chamas atingiram pelo menos quatro lojas, na altura da Rua Araújo Leitão e causaram destruição. A Avenida Marechal Rondon também chegou a ser interditada. Pai do rapaz morto, José Carlos Lopes fez grave denúncia contra policiais que participaram da ação realizada por militares da UPP.

Policiais correm durante o tumulto na Rua Barão do Bom Retiro%2C ontem. Atrás deles%2C os veículos queimadosAlexandre Vieira / Agência O Dia

“Mandaram meu filho ajoelhar e o assassinaram. Que polícia é essa? Por isso que sumiram com o Amarildo e não acontece nada”, disse, referindo-se ao auxiliar de pedreiro morto após sessão de tortura em julho, na Favela da Rocinha. Policiais ouvidos na ação negaram.

Os ônibus incendiados eram das linhas 638 (Saens Peña-Marechal Hermes) e 606 (Rodoviária-Engenho de Dentro). Um passageiro do 638 relatou que vários homens pediram que os usuários descessem e atearam fogo no veículo. Outras quatro lojas foram atingidas pelas chamas: um bar, uma oficina, um hortifrúti e um ferro-velho.

Moradores do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que são vizinhos ao São João, relataram que ouviram muitos tiros vindos da parte alta da comunidade.

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