Nossos Bichos: As agulhadas que curam

Considerada uma terapia segura, eficiente e sem efeitos colaterais, a acupuntura ainda é pouco difundida

Por thiago.antunes

Rio - O labrador Marley sofria de dores terríveis na coluna. A dona dele, a apresentadora Luisa Mell, já havia tentado de tudo para aliviar o sofrimento do animal, que vivia à base de remédios.
Até que, por sugestão médica, levou Marley para sessões de acupuntura. Com ação relaxante, anti-inflamatória e cicatrizante, a terapia milenar chinesa usada em pessoas tem se tornado uma importante aliada dos pets, conjugada ao tratamento convencional com exames e medicação.

Marley%2C segundo Luisa Mell%2C melhorou rapidamente quando começou a ser submetido à acupunturaDivulgação

Considerada uma terapia segura, eficiente e sem efeitos colaterais, a acupuntura ainda é pouco difundida. “Eu não acreditava muito até ver os resultados. O Marley estava todo torto. Hoje, está superbem e nunca mais teve crises”, festeja Luisa.

A terapia praticada em animais tem os mesmos efeito da dos humanos. “A pele tem terminações nervosas que, quando estimuladas, liberam neurotransmissores, como a serotonina, que dá sensação de prazer”, explica o veterinário Marcelo Granja, da Petzhen. Segundo ele, em média, são necessárias 10 sessões semanais, cada uma com meia hora de duração. As agulhas usadas são descartáveis.

A restauradora Andrea Moreira buscou a acupuntura para sua cadela, Abigail, uma yorkshire de 13 anos. “Ela caiu em casa e passou a mancar. Na segunda sessão já apresentou melhora e depois da quinta andava normalmente”, conta. O veterinário que cuidou de Abigail em casa, Marcos Lourenço Nunes, lembra que no verão, com o uso de ar-condicionado, os animais sentem mais dores nas articulações. “Após o tratamento, os pacientes reduzem à metade a ingestão de medicamentos”, diz o veterinário.

Chineses usam técnica em animais há três mil anos

A acupuntura em animais começou a ser feita por chineses na Dinastia Chang, mil anos antes de Cristo. Era usada inicialmente no tratamento de cavalos de sacerdotes feridos em batalhas.
A terapia em cães e gatos se espalhou pelo Ocidente, onde passou a ser receitada em animais com problemas respiratórios (asma e bronquite), musculares (miosite), ósseo (hérnia de disco, artrite, artrose), dermatológicos (sarna), gastrointestinais (gastrite, diarreia e prisão de ventre), reprodutivos, neurológicos (convulsão, paralisia e cinomose), recuperação pós-cirúrgica, insuficiência renal, cistite e até na recuperação de casos de câncer.

Andrea recorreu às agulhas após Abgail cair e ter dificuldade para andarFabio Gonçalves / Agência O Dia

“A acupuntura reduz efeitos colaterais, como enjoos após quimioterapia”, explica o veterinário Marcelo Granja. Segundo ele, é importante que os animais sejam atendidos tão logo surjam os sintomas da doença, para evitar que se agrave. “Doenças crônicas necessitam de mais sessões para que a melhora seja sentida”, diz Granja.

Por isso, ele aconselha observar o comportamento do animal, como não querer passear, comer ou subir no sofá. Pode ser sinal de que está sofrendo.

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