Por paulo.gomes
Sérgio Paiva teve uma tarefa a mais no domingo pela manhã%3A limpar a calçadaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Rio - Em alguns pontos da Lapa, neste domingo, eram os empregados de bares que trabalhavam para limpar as calçadas em frente às lojas. No caso do Bar da Cachaça, o próprio dono, Sérgio Camelo Paiva, colocou a mão na massa. “Em pleno Carnaval, é horrível ver esse lixo. O pior é que vem os moradores de rua, rasgam os sacos de lixo, e a sujeira fica ainda maior”, disse Paiva.

Empregado do Bar Improviso, também na Lapa, Renan Bezerra de Souza era outro que limpava a frente da loja. Ele contou que foi preciso contratar um carreto para levar o lixo recolhido. “Não tem nem como as pessoas passarem pela calçada. É até perigoso”, disse.

A Comlurb informou que, no sábado, foram recolhidas 21 toneladas de resíduos na Sapucaí e outras seis toneladas em ruas de acesso ao Sambódromo. E alegou que a limpeza após a passagem dos blocos está sofrendo atrasos por causa do grande número de pessoas e que seu trabalho só pode ser concluído após a dispersão dos foliões.

Manhã de Carnaval nas ruas do Centro do Rio é um lixo só

As principais ruas do Centro do Rio, como as da Lapa e as próximas à Cinelândia e à Central do Brasil, além da Avenida Rio Branco e de todo o entorno do Sambódromo, amanheceram neste domingo tomadas por lixo. O problema era verificado em vários pontos da Zona Norte onde houve bailes populares ou desfiles de blocos no sábado.

O cenário de sujeira e o mau cheiro incomodaram pedestres e motoristas em vários pontos da cidade. Na Central do Brasil, quem saía da gare era obrigado a passar pelos detritos para seguir em direção da Avenida Presidente Vargas.

Na Cinelândia, cartão-portal da cidade, restos da noite anterior misturavam-se no mesmo cenário à Câmara de Vereadores, ao Teatro Municipal, à Biblioteca Nacional. No meio da manhã, não havia nenhum gari trabalhando, mas havia muito lixo.

Ao lado dos Arcos da Lapa, a única referência ao poder público municipal era o símbolo da prefeitura estampando em quiosques de venda de bebidas. No entorno deles, sujeira por todos os lados. E nenhum gari.

Nas principais ruas da Lapa, entre elas a Avenida Mem de Sá e as ruas do Riachuelo, do Lavradio e Gomes Freire, pedestres tinham dificuldade para andar pelas calçadas. Em vários pontos, eram obrigados a passar pela rua, para desviar dos montes de lixo.

Em greve%2C trabalhadores fizeram passeata pela Avenida Presidente Vargas após protesto na Cidade NovaUanderson Fernandes / Agência O Dia

Greve de garis mantida

E a sujeira nas ruas da cidade deve piorar nesta segunda-feira, já que os garis votaram pela continuidade da greve, iniciada na noite de sexta-feira. Segundo a categoria, cerca de 60% dos trabalhadores estão de braços cruzados.

A decisão de manter a paralisação foi tomada ontem, antes de uma manifestação que reuniu aproximadamente 100 funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) em frente à prefeitura, na Cidade Nova. De lá, os trabalhadores seguiram até a Candelária, carregando faixas e cartazes e cantando músicas no ritmo do Carnaval. A que mais empolgava o grupo dizia “Êêêêê... Nesse Carnaval, o prefeito vai varrer. Sozinho!”.

A sujeira tomou conta da cidade no primeiro Carnaval após a Prefeitura estipular multas para quem fosse pego jogando lixo nas ruas.

E a situação deve piorar hoje. De acordo com o gari Robson da Conceição Vitória, um dos líderes do movimento, a categoria não volta a trabalhar enquanto suas reivindicações não forem atendidas. “Queremos que nosso piso passe de R$ 800 para R$ 1.200. Também reivindicamos insalubridade e 100% de hora extra aos sábados, domingos e feriados. Isso serve também para os vigias e auxiliares de serviços gerais”, disse Robson.

Pedem ainda o aumento no valor do tíquete-refeição e participação nos lucros da empresa. Outra manifestação está marcada para o início da manhã desta segunda-feira, logo após os desfiles na Sapucaí, em frente à Central.

Comlurb alega que greve é ilegal

Em nota divulgada neste domingo, a Comlurb classificou como ilegal a greve de seus empregados e informou que “mobilizou equipes para contornar o problema” do lixo.

No texto, a Companhia alega que “mantém sua rotina especial de limpeza programada para o período de Carnaval”. Mas reconhece que “alguns pontos da cidade sofreram interferência de membros de um grupo de grevistas”, que, segundo a empresa, “não tem representatividade nem ligação com sindicato reconhecido da categoria”.

Além disso, a nota da Comlurb informa que o movimento foi considerado ilegal pela Justiça do Trabalho. Mas reitera que a Companhia está em negociação com o sindicato da categoria, “como faz anualmente no período do acordo coletivo”.

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