Por paulo.gomes
Claudia morreu no último domingo após ser baleada no Morro da CongonhaReprodução

Rio - O advogado Jorge Carneiro, que representa o subtenente da Polícia Militar Rodney Miguel Archanjo, disse nesta quarta-feira, que seu cliente colocou Cláudia Ferreira da Silva no porta-malas do carro porque o banco traseiro estava ocupado com fuzis e coletes à prova de bala. Juntamente com o subtenente Adir Serrano Machado e o sargento Alex Sandro da Silva Alves, Archanjo foi preso, acusado de colocar a mulher baleada no porta-malas e arrastá-la quando ele se abriu.

“Os fuzis dos PMs e os coletes de balística estavam no banco traseiro. Eles não podiam, naquela pressa, colocar a moça em cima dos fuzis. Naquela hora, fazer o transporte do fuzil para a mala era perder tempo. E é um risco ficar mexendo com fuzil no meio da comunidade, com um monte de gente em volta”, disse o advogado.

Durante o trajeto para o hospital, o porta-malas se abriu e Cláudia foi arrastada por dezenas de metros na rua. Segundo o advogado, os policiais não se preocuparam em verificar se a porta estava fechada, porque queriam levá-la para o hospital o mais rápido possível.

“As pessoas da comunidade ficavam forçando para entrar na viatura, a fim de ir junto com ela para o hospital. A viatura não podia carregar ninguém. Eles estavam no afã de salvar a dona Cláudia. Eles queriam sair dali o mais rápido possível para levá-la para o hospital. Eles baixaram a tampa e pensaram: 'está fechada'. Só que no meio do caminho, com a sirene ligada, não deu para perceber que a tampa abriu”, disse.

De acordo com Carneiro, os três policiais militares não participaram da operação policial, que terminou com a morte de Cláudia e de um homem. O advogado explicou que eles foram chamados para dentro da comunidade apenas com o objetivo de socorrer a mulher. Acrescentou que seu cliente está “muito triste” com o desfecho do socorro.

Rodney tem 30 anos de Polícia Militar e, segundo Carneiro, planejava entrar com o pedido de aposentadoria na última segunda-feira, um dia depois do tiroteio que resultou na morte de Cláudia.

Os três policiais estão presos em Bangu 8, por determinação da própria PM. Eles vão prestar depoimento nesta quarta-feira na 29ª DP (Madureira), que investiga o caso.

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