Por camila.borges

Rio - O comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Luís Castro Menezes participou na manhã desta quarta-feira, de uma reunião com familiares da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira. O Coronel lamentou o ocorrido e se solidarizou com os parentes de Claudia.

Claudia foi arrastada por viatura da PMReprodução

"Em nome da Polícia Militar eu peço desculpas pela conduta inadequada que foi cometida durante o atendimento a senhora Claudia. Garanto que haverá todo rigor na apuração dos fatos e que se houver mais algum policial envolvido neste crime ele também será punido," informou o comandante.

Durante o encontro, o coronel reafirmou ao Chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, que irá colaborar com todas as informações necessárias para o andamento do inquérito aberto pela instituição. A reunião ocorreu no prédio da Chefia da Polícia Civil e contou com a participação de representantes da Defensoria Pública.

PMs investigados por morte de mulher prestam depoimento em Madureira

Os PMs Adir Machado, Rodney Archanjo e Alex Alves, que socorreram a auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, no Morro da Congonha, em Madureira, após a vítima ser baleada durante ação da Polícia Militar na localidade, chegaram na tarde desta quarta-feira pra prestar depoimento na 29ª DP (Madureira), que investiga o caso. Os policiais chegaram com o uniforme de Bangu 8, calça jeans e camiseta branca.

Cláudia foi arrastada quando o porta-malas do carro se abriu. O corpo teve diversas dilerações mas, segundo laudo do IML, a bala que atingiu a mulher foi responsável pela morte. Os três chegaram de roupas brancas e escoltados por cinco viaturas. A rua lateral da 29ª DP, Ernesto Lobão, foi fechada ao tráfego.

O advogado do Rodiney, Jorge Carneiro, falou sobre o episódio e afirmou que a tranca não do porta-malas não estava com defeito e sim semi-aberta. "Eles não verificaram a tranca por conta do nervosismo", afirmou Carneiro. Carneiro falou ainda sobre os números de autos de resistência praticados pelos policiais. Segundo a Polícia Civil, Adir tem 57 autos contabilizados, Rodney tem cinco e Alex tem um. "Tanto tempo combatendo o crime (Rodney tem 29 anos de corporação), é difícil não ter auto de resistência", disse.

Cerca de 200 pessoas participaram do sepultamento de Cláudia Ferreira da SilvaAlessandro Costa / Agência O Dia

O defensor do sargento Zaqueu Bueno, que estava na operação, afirmou que seu cliente não teria visto a mulher ser baleada, já a guarnição dele estava na parte alta do morro, acima onde a vítima foi alvejada.

Cabral pede desculpas aos familiares de Claudia 

O governador do Rio Sérgio Cabral recebeu na manhã desta quarta-feira, no Palácio Guanabara, a família de Cláudia Ferreira da Silva, que foi arrastada por uma viatura da Polícia Militar no último domingo, após ser baleada no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte. No encontro que durou cerca de uma hora, Cabral pediu desculpas pelo fato e garante que o Estado dará toda assistência aos familiares de Cláudia.

O governador Sérgio Cabral conversou por cerca de uma hora com os familiares de Cláudia Ferreira da SilvaSeverino Silva / Agência O Dia

O viúvo Alexandre Fernandes da Silva disse ter aceito o pedido de desculpas e que acredita nas promessas feitas pelo governador. No entanto, garante que processará o estado. "Já passou da hora deles (PMs) estarem presos. Essa coisa de chegar na comunidade atirando e falar que foi tiroteio precisa acabar", pede.

"Eles atiraram e mataram um inocente. Na comunidade moram muitas pessoas inocentes e elas não podem continuar pagando por isso", completou.

Logo após o encontro, onde também estiveram presentes o secretário estadual de Assistência Social, Pedro Fernandes, o chefe de gabinete da Casa Civil, Leonardo Espíndola e João Tancredo, a família de Cláudia seguiram para a Cidade da Polícia, na Zona Norte, onde terão um encontro com o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso.

Convite para o governador

Na ida para o Palácio Guanabara, Alexandre Fernandes disse que iria chamar Sérgio Cabral para conhecer o local onde sua esposa foi baleada pelos policiais.

"Vou convidar o governador para vir até aqui para ele ver a distância que tinha entre a minha esposa e os policiais. Dava para eles (PMs) terem visto que ela estava na linha de tiro", disse.

O viúvo agradeceu o apoio que recebeu de todos que tem ajudado a família no caso e afirmou que clamará por justiça ao governador para punir os PMs que atuaram desastrosamente no socorro.

"Não estou atrás de fama, dinheiro. Só quero justiça pela morte da minha mulher. Quero apuração eficiente, que ele (Cabral) não deixe esses policiais impunes. Quero que eles sejam julgados como um cidadão comum. Como eu, se tivesse cometido um crime", pediu.

Alexandre também questionará com Cabral a atuação dos PMs no socorro à Cláudia. Ele afirmou que a filha Thaís, de 18 anos, na tentativa de socorrer a mãe foi empurrada pelos militares, acusados ainda de disparar para o alto com o intuito de dispersar familiares e vizinhos da vítima.

"Podiam ter permitido que um ou dois parentes fossem com a minha mulher na viatura para ampará-la", acredita.




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