Por thiago.antunes

Rio - O  governador do Rio, Sérgio Cabral, endureceu o discurso sobre a proposta paulista de levar água do Paraíba do Sul — responsável pelo abastecimento de 11 milhões de pessoas no Estado do Rio — para São Paulo. Através do Twitter, ele avisou que “jamais permitirá mudança no abastecimento que prejudique a população e as empresas do estado”. O destinatário da mensagem de Cabral é o colega paulista, o governador Geraldo Alckmin, que na terça-feira pediu à presidente Dilma Rousseff a autorização para transportar a água do rio e amenizar a seca nas torneiras da Grande São Paulo.

Apesar do tom forte de Cabral, Vicente Andreu, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) — encarregado do parecer técnico sobre o projeto do governo paulista — deu a entender nesta quinta-feira que São Paulo pode sair vitorioso na disputa. Embora reconheça os riscos de impactar o abastecimento no Rio de Janeiro em períodos extremos (seca prolongada), Andreu enxerga que, como a captação será num dos afluentes do Paraíba do Sul (o Rio Jaguari), São Paulo pode realizar a obra sem a necessidade da autorização do governo federal.

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Para o Rio de Janeiro restarão as regras que São Paulo será obrigado a seguir para minimizar ou reduzir os impactos. Uma delas, seria na limpeza dos afluentes do Paraíba do Sul, o que já aumentaria a qualidade da água e reduziria o desperdício. Segundo os técnicos da ANA, o Rio de Janeiro hoje joga fora mais da metade do que capta justamente pelo excesso de esgoto contido na água. São Paulo não é diferente. Em Taubaté, por exemplo, 90% do esgoto não são tratados.

Repercussão 

A reação à ideia de Geraldo Alckmin foi intensificada nesta quinta na Região do Vale do Paraíba — tanto do lado carioca, como do paulista. Eles acreditam que transpor o Rio Paraíba do Sul vai prejudicar o abastecimento de água nos municípios ribeirinhos e pode atingir inclusive o fornecimento de energia elétrica — vitais para o crescimento da região, que conta com centenas de indústrias — algumas das maiores do Brasil.

Os ambientalistas que acompanham a falta de água nos reservatórios de São Paulo admitem que o problema é antigo e há mais de 15 anos o governo paulista sabe que a capacidade dos mananciais que abastecem o sistema Cantareira estão esgotados. Na opinião deles, faltaram investimentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

Volume de água do Rio Paraíba do Sul que abastece o Rio pode diminuir com proposta feita por São PauloJoão Marcos Coelho / Diário do Vale / Agência O Dia

Obra apontada como essencial seria a captação de água no Vale da Ribeira — no Litoral Sul — e onde há projeto para construir sete reservatórios e transpor 20 mil metros cúbicos de água por segundo. Isso garantiria o abastecimento da Região Metropolitana até 2035. A obra é orçada em R$ 12 bilhões.

Mas o governo paulista, segundo eles, optou por sistemas mais baratos e sem fazer os complementos recomendados, como a despoluição dos rios e a criação de um sistema de captação da água das chuvas.

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