Por thiago.antunes

Rio - A mãe da pequena Carol Baptista, de 2 anos, morta após ataque dos cachorros da família, fez um desabafo pelo Facebook  lamentando a morte da filha que não resistiu aos ferimentos. “Agradeço a todos o carinho. Minha pequena Carol agora é um ser de luz. Senhor, cuida dela por mim”, postou ontem, Clara Baptista.

No perfil da rede social em que João Igor e Clara aparecem em dezenas de fotos com as filhas e demonstram, também por imagens, o amor da família por cães, amigos consolaram os pais de Carol. “Não sei o que falar. Desejo que Deus conforte seu coração para diminuir ao menos a dor”, publicou Anderson Souza.

Na tarde desta quinta-feira, os dez cachorros foram retirados da casa para exames. Eles teriam sido encaminhados à Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa).

Reação dos animais chega a surpreender veterinários

Veterinários dizem que não há histórico de ataques de vira-latas a membros das famílias que os criam. “Cães não atacam seres humanos quando estão com fome, por exemplo. Geralmente agressões severas assim são desencadeadas por animais que estariam sob forte estresse ou sofrendo supostos maus-tratos. Qualquer grito, movimento brusco ou brincadeira nessas condições podem originar ataques”, afirmou Luis Bueno, da American Pet. “Para toda ação há uma reação. É preciso entender como era o dia a dia desses cães com a família”, opinou a veterinária Eliane Mena Barreto.

Parte dos vira-latas que atacaram as crianças Angelo Antônio Duarte / Agência O Dia

‘Ouvi muitos latidos, gritos desesperados das crianças e corri para o local. Consegui tirar a garota mais nova e, depois, voltei para pegar a mais velha. Não tive como salvar Carol, infelizmente”, lamentava o construtor civil Luciano da Silva, 42, vizinho da vítima. Carol Baptista, de apenas 2 anos, teria chegado com vida ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos, que dilaceraram seu corpo. O ataque de parte dos dez cães vira-latas que a família mantinha no quintal de casa chocou moradores do Cachambi, no final da tarde de quarta-feira.

Os animais também deixaram ferida a irmã mais velha dela, por parte de mãe, Giovana, 10. A caçula Luiza, de 1 ano, também estava em casa, no berço, e nada sofreu. Com escoriações no corpo, Giovana recebeu dez pontos na perna direita e foi liberada pouco depois, também no Salgado Filho. Carol foi enterrada ontem no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Luciano chegou a socorrer a mais velha e levar ao hospital. Avô de Carol%2C Antônio defendeu o filho%2C ameaçado de linchamento por deixar as crianças sozinhas em casaAngelo Antônio Duarte / Agência O Dia

Segundo testemunhas, a tragédia ocorreu às 17h, quando o pai de Giovana, o empresário João Igor dos Santos, teria deixado as crianças sozinhas entre cinco e dez minutos, para buscar a mulher, Clara Pereira Baptista da Silva, numa estação do metrô. No dia anterior, ela teria sido assaltada no trajeto para casa. Giovana e Carol brincavam numa piscina de plástico quando sofreram o ataque.

A 23ª DP (Méier) abriu inquérito para investigar o caso e poderá indiciar João por homicídio culposo (sem intenção de matar), lesão corporal e abandono de incapaz. O vizinho que salvou Giovana disse que os pais não costumavam deixar as filhas sozinhas e que os cães — aparentemente muito magros —, nunca tinham causado problemas. “Foi uma fatalidade”, comentou Luciano.

Abalados, João, que recebeu ameaças de linchamento, e Clara passaram o dia abrigados por parentes. O pai de João, o segurança Antônio Carlos dos Santos, 58, saiu em defesa do filho. “Ele não é um monstro. Também é vítima. Está sofrendo muito. É um homem honesto, de caráter, e carinhoso com a família”, garantiu. Antônio ressaltou que os cães, boa parte deles retirados das ruas, são dóceis e que nunca ocorrera nenhum incidente.

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