Por bianca.lobianco

Rio - Parentes de Claudia Ferreira, de 38 anos, morta após ser alvejada no Morro da Congonha e arrastada por uma viatura da PM pelas ruas da Zona Norte, durante "socorro" no último domingo, chegaram para depor às 10h desta sexta-feira na 29ª DP. Além do viúvo de Cláudia e a filha, duas testemunhas que não podem ser identificadas também foram prestar depoimento. 

O marido de Cláudia condenou ao parecer da juíza, que foi favorável à soltura dos três PMs que arrastaram a moradora pelas vias da cidade por uma viatura. 

"É lamentável. Mais uma vez, quem comete crime consegue habeas corpus. A soltura dos PMs redobra nosso medo. Se eu desse uma paulada em alguém, seria preso. Não há justiça para policiais" 

O advogado João Tancredo disse que vai tentar incluir os parentes no Programa de Proteção a Testemunhas.

Por volta das 12h desta sexta-feira os policiais responsáveis que colocaram Cláudia Ferreira no porta-malas da viatura foram soltos. Eles estavam presos no Complexo Penitenciário de Bangu.

Os filhos de Cláudia Ferreira se emocionam ao ver o uniforme que a auxiliar de serviços gerais usava no Hospital Marcílio Dias%2C no Lins%2C onde trabalhavaCarlos Moraes / Agência O Dia

Justiça dá liberdade provisória para PMs acusados de arrastar corpo de mulher

A juíza Ana Paulo Monte Figueiredo Pena Barros decidiu pela liberdade provisória dos três PMs acusados de arrastar a auxiliar de serviços gerais Cláudia Ferreira, após operação no Morro da Cogonha, em Madureira. O pedido de relaxamento da prisão foi feito pelo PM Adir Serrano Machado e do Alex Sandro da Silva Alves, mas foi estendido ao primeiro denunciado, o subtenmente Rodney Miguel Archanjo.

Em um trecho da decisão, a juíza afirma que não é possível saber se os PMs ignoraram o fato da vítima ter caído da viatura e sido arrastada.

“Assim sendo, por mais forte, chocante e até mesmo revoltante as imagens da senhora Cláudia, já baleada, sendo arrastada pelo asfalto presa ao reboque da viatura, nos termos não é possível inserir que PMs que estavam na viatura conheciam tal circustância e a ignoraram. Ao contrário, o que mostram as imagens é que a viatura parou e dois policiais desceram para a colocarem de volta no carro. Decerto, o compartimento de presos não é o local para uma vítima de arma de fogo em estado grave. As circustâncias que levaram a polícia a agirem dessa forma serão analisadas pelo conselho de justiça”.

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