Rio - O Complexo da Maré foi ocupado nas primeiras horas de domingo, e esta segunda-feira, primeiro dia útil após a entrada das Forças de Segurança na comunidade, é de muito trabalho para os agentes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). A principal reclamação dos moradores era a falta de coleta de lixo nas comunidades. Além de melhorias na educação, saúde e lazer.
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De acordo com Marcus Belchior, secretário Municipal de Conservação, a prefeitura vai melhorar o serviço prestado na Maré.
"A prefeitura vai entrar com o serviço de Comlurb, de RioLuz e da Coordenadoria Geral de Conservação. Nestes próximos 15 dias, com a segurança retomada, podemos implantar uma nova logística. A prefeitura já atua aqui, mas agora com a retomada da segurança podemos implantar sim uma nova logística para melhorar os serviços prestados na Maré”, disse Belchior, ao "Bom Dia Rio".
Morador há 50 anos da Nova Holanda, o atendente Severiano Paulo Barros Filho, de 61 anos, que ver a comunidade mais limpa.
“É muito lixo aqui. Acaba que a Comlurb não dá conta. Em dia de feira é pior. Tem que melhorar. Piorar é que não pode”, disse ele, ressaltando a presença da Light, que ontem esteve na região. “Já temos novos postes e ligações elétricas”, comemorou.
O presidente da Associação de Moradores do Parque da Maré, José Carlos Gomes Barbosa, de 52 anos, denunciou que o número de garis comunitários caiu de 130 para 70. Ele espera ainda que o governo do Rio melhore também o atendimento em áreas como saúde e educação. “O serviço público existe, mas é preciso melhorar, ampliar. A população cresceu. Tem que inovar, atender melhor”, cobrou ele.
A retomada de território das 15 comunidades contou com 1,2 mil policiais militares, 21 viaturas blindadas e 250 fuzileiros navais da Marinha. Porém, a maior estratégia das polícias Civil, Militar e Federal, além da Secretaria de Segurança, estava nos bastidores do front. Uma tropa de mais 100 homens dos serviços de Inteligência dessas instituições trocavam informações por telefone e WhatsApp, e monitoravam, com autorização da Justiça, ligações telefônicas de criminosos. Rotas de fuga também foram mapeadas.
O trabalho permitiu a prisão ontem de 13 pessoas em vários pontos do Rio, entre eles o sargento PM Luís Claudio Holanda Marques (que era informante dos bandidos) e Daiana de Barros Rodrigues, ex-namorada de Marcelo dos Santos das Dores, o Menor P, um dos chefes do tráfico local, preso quarta-feira. Na região, até o fim do ano deverão ser instaladas pelo menos três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Dois jovens são mortos
Para apoiar o trabalho de campo, os serviços de Inteligência mapearam 30 rotas de fuga tanto da facção Comando Vermelho (CV) quanto do Terceiro Comando Puro (TCP). Os pontos levaram em consideração a possibilidade de migração de territórios divididos pelas quadrilhas. Nesses locais, foram colocados PMs para fechar ainda mais o cerco nas comunidades que começou a ser feito há mais de uma semana, gerando um total de 118 prisões. Drogas e armas foram apreendidas, e barricadas de traficantes, removidas.
Mas, se pela manhã, não houve qualquer problema, à tarde, o clima ficou tenso na Maré com a morte de dois jovens. Vinicius Guimarães, de 15 anos, foi assassinado, segundo parentes, por traficantes na divisa da Nova Holanda e Baixa do Sapateiro. Foi a primeira morte registrada durante ocupação para implantar UPP.
Outros dois menores foram atingidos por tiros e levados ao Hospital de Bonsucesso. Também baleado, Gustavo Augusto Alves, de 18, foi encontrado com vida na Linha Amarela, mas morreu naquela unidade de saúde (até a noite a polícia desconhecia as cincurnstâncias do caso). Manifestantes fecharam a Linha Vermelha por 15 minutos, às 14h. À noite, PMs diziam haver risco de confrontos.
Cada passo monitorado
A rapidez na troca de mensagens entre agentes e militares e o cerco às comunidades foram fundamentais, por exemplo, para a prisão de Menor P. Pressionado pela chegada da polícia na Maré, o criminoso decidiu sair da região. Como estava com os passos monitorados por gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, ele acabou preso pela Polícia Federal num apartamento em Jacarepaguá, na Zona Oeste.
Para analistas da Inteligência da cúpula de Segurança, a ação mais expressiva de troca de informações aconteceu, no entanto, na ocupação da Rocinha, com a prisão do chefão do tráfico Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.
No caso da Maré, são procurados Jorge Luiz Barbosa, o Alvarenga, do CV, Fabiano Santos de Jesus, o Zangado (irmão de Menor P), e Paulo Sérgio Medeiros da Cunha, o PL, do TCP, entre outros.
Confira imagem em 360 graus da operação




