Por thiago.antunes

Rio - Os médicos Adão Orlando Crespo Gonçalves e José Renato Ludolf Paixão foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio culposo (sem intenção de matar) no caso de Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos. Na madrugada do Natal de 2012, Adrielly foi vítima de bala perdida na cabeça e esperou mais de oito horas por atendimento no Hospital Salgado Filho, no Méier. Adão era o plantonista e faltou. Ludolf era chefe da Neurocirurgia e sabia da falta do colega, mas não providenciou a substituição.

Adão faltou ao plantão do NatalUanderson Fernandes / Agência O Dia

A denúncia foi feita por Eduardo Rodrigues Campos, promotor da 12ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal do MP, que acusa os profissionais de omissão que resultou na morte da menina. A denúncia, feita em 27 de fevereiro, ainda está sob análise do juízo da 35ª Vara Criminal, que pode acolher ou não o parecer do MP.

Entre outras coisas, o promotor relata que, diante do não comparecimento de Adão, escalado para o plantão das 20h do dia 24 às 8h de 25 de dezembro de 2012, a chefia de plantão do Salgado Filho tentou transferir Adrielly para outro hospital, mas não conseguiu a remoção. 

Ainda de acordo com o documento, médicos do plantão do Salgado Filho tentaram manter a menina viva até que o neurocirurgião do plantão seguinte pudesse operá-la. A cirurgia começou por volta das 8h15 do dia 25 de dezembro, cerca de oito horas depois de Adrielly ser levada ao hospital. Ele foi atingida na Favela do Urubuzinho, em Pilares.

Após a cirurgia, Adryelle ficou internada em estado gravíssimo, sendo transferida para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde morreu no dia 4 de janeiro. A morte foi em decorrência do atraso na cirurgia, segundo laudo.

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