Por camila.borges

Rio - Policiais da 21ª DP (Bonsucesso) prenderam, na noite desta terça-feira, um dos responsáveis por atacar a UPP de Manguinhos, no último dia 20. Bruno Lopes Gonçalves da Silva, 31 anos, o Bulau, é apontado como o braço direito do traficante José Benemário Araújo e foi capturado no Jacaré, Zona Norte da cidade.

De acordo com o delegado Delmir Gouveia, titular da 21ª DP, Bulau recebia as ordens de Benemário e repassava aos outros criminosos . Ele vai responder pelos crimes de esbulho, dano ao patrimônio público, roubo, incêndio, explosão, disparo de arma de fogo, tráfico de drogas, associação para o tráfico e associação criminosa. 

Penas podem chegar a 80 anos de reclusão 

O delegado titular da 21ª DP (Bonsucesso) Deumir Gouvêa afirmou que "nenhum ataque à polícia em área de UPP ocorre sem ordem expressa ou consentimento". A declaração foi dada após os agentes da distrital cumprirem, na manhã desta terça-feira, cinco mandados de prisão contra Rodrigo de Sousa Freires, o Pezão; Johni do Espírito Santo Pereira, o Johni Peças; Renato Cipriano Silva Gomes; Cristiano dos Santos Gregório e Leonardo Bitzer de Sousa Reis. Eles são acusados de participar dos atentados à UPP Manguinhos no dia 20 de março. Ao todo, 12 mandados de prisão foram expedidos pela Justiça.

Cinco homens foram presos acusados de participar de atentados à UPP ManguinhosAlessandro Costa / Agência O Dia

Segundo o delegado, a ordem dos ataques teria partido de José Benemário Araújo, André Luiz Cabral dos Santos, o Lacraia e Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, vulgo Marcelo Piloto. Os três são acusados de liderar o tráfico na região e estão foragidos.

Também estão foragidos Rodolfo Silva Melo do Nascimento, o Pirata e Claudevan Alves dos Santos, vulgo Carioca ou Diolinda. Contra eles também pesam crime de tentativa de homicídio.

"Foi uma ação claramente orquestrada e a invasão ao prédio abandonado foi apenas um teatro antes de atacar a base", afirmou o delegado.

Os acusados serão indiciados pelos crimes de esbúlio, dano ao patrimônio público, roubo, incêndio, explosão, disparo de arma de fogo, associação ao crime e ao tráfico e tráfico de drogas. As prisões são temporárias de 30 dias e podem se converterem em preventivas. Somadas, as penas podem chegar a 80 anos de reclusão.

Complexo de Manguinhos teve cenário de destruição%2C crianças sem aula e comércio fechado após ataque que destruiu base de UPPCarlos Moraes / Agência O Dia

Durante a ação do dia 20, orquestrada por traficantes e que ocorreu em outras três Unidades de Polícia Pacificadora - Alemão, Arará e Camarista Méier -, o comandante da UPP Manguinhos, capitão Gabriel de Toledo, foi baleado por um tiro na perna e um soldado atingido por uma pedrada na cabeça.

No ataque na UPP Arará/Mandela, o contêiner, que serve de base para os policiais, foi incendiado. Viaturas também foram apedrejadas e queimadas. A ação teria sido motivada depois que PMs retiraram invasores de um prédio do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Manguinhos.

Uma multidão fechou com barricadas de fogo a Avenida Leopoldo Bulhões, a principal da região. Um trecho da Avenida Dom Helder Câmara, na altura da favela do Jacarezinho, também foi interditado.

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