Por adriano.araujo

Rio - Em apenas 10 horas, quatro policiais militares foram feridos em confrontos com traficantes no Complexo do Alemão, na Zona Norte. O último ocorreu, ontem, por volta das 8h30, no Largo do Mineiro, no Morro do Alemão, na Rua Dois. Em 2014, até ontem, o número de policias que tombaram ou foram feridos no Alemão chegou a 16.

Por conta dessa violenta realidade, o governador Luiz Fernando Pezão quer punições mais severas para quem matar policiais e vai levar o pedido ao Congresso Nacional.

“Temos que discutir isso em nível nacional, fazer uma emenda constitucional ou o que precisar ser feito dentro da nossa Constituição”, disse o governador. “Quem mata policial tem que ter uma pena dobrada, as pessoas tem que temer isso. Não pode uma pessoa matar um policial e, cinco meses depois, estar aí desfrutando de um semiaberto. Vou dedicar o meu tempo nesses oito meses para levar esse debate ao Congresso Nacional, já falei isso com o ministro (da Justiça) José Eduardo Cardozo”, argumentou Pezão.

PMs patrulham o Alemão em mais um dia de tiroteioAlessandro Costa / Agência O Dia

O governador pediu ajuda do Governo Federal para acelerar o processo de transferência para presídios federais dos traficantes Márcio da Silva Lima (Tola), Alexander Mendes da Silva (Polegar), Sandro Luís de Paula Amorim (Peixe) e Aldair Marlon Duarte (Aldair da Mangueira), deferido desde novembro do ano passado. Na última terça-feira, Pezão já havia solicitado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, apoio para a ida para prisões federais de Bruno Eduardo Da Silva Procópio, o Piná; Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D; e Ramires Roberto da Silva, de 21 anos, responsável pela morte da soldado Alda Castilhos, durante ataque ao contêiner da base da UPP Parque Proletário, e do subcomandante da UPP Vila Cruzeiro, Leidson Acácio Alves Silva, em fevereiro e março deste ano.

O soldado da policial militar, lotado na UPP do Complexo do Alemão, Alisson Sturião de Araújo, de 32 anos, estava em uma incursão, quando foi baleado no maxilar. O PM foi encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde foi operado, e depois transferido para o Hospital Geral da Polícia Militar, no Estácio. O quadro de saúde dele é estável.

Já às 22h30 do dia anterior, outros três policiais militares ficaram feridos em uma outra troca de tiros com bandidos, desta vez, na Nova Brasília, também no interior do Complexo do Alemão. Um dos PMs, que eram lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope), foi baleado na perna e os outros dois, feridos por estilhaços e tiro de raspão. Ao todo, desde a implantação das UPPs no Alemão, 27 PMs foram feridos e oito morreram na região.

No fim da manhã desta quinta-feira, PMs prenderam um suspeito, de 22 anos, na Rua Dois. O jovem estava pulando um muro quando foi detido.

Crianças observam marcas de tiros e cápsulas deixadas pelo tiroteioAlessandro Costa / Agência O Dia

Até ontem, 13 PMs feridos e três mortos

Em pouco mais de quatro meses, o saldo de policiais militares feridos e mortos em confrontos com o tráfico, no Complexo do Alemão já soma mais que o de anos anteriores. Este ano, até ontem, os números superaram os de 2012 e 2013: foram três PMs mortos e 13 feridos.

Em 2012, houve três vítima<s fatais e quatro policiais feridos, durante serviço no local. No ano passado, o número de feridos mais que dobrou. Foram 12 baixas entre os policias, sendo duas vítimas fatais e dez atingidas por disparos ou estilhaços de balas. Em apenas três anos, o total de vítimas chega a 35.

Rotina de tiros apavora moradores

?Enquanto policiais seguem reforçando o policiamento no Complexo do Alemão, com apoio de 200 agentes de outras unidades da PM, moradores estão vivendo uma rotina de medo.

“Quando eu vi, minha vizinha estava encurralada na porta do salão. Comecei a gritar que era moradora e consegui tirá-la de lá. Foi um pavor. Logo depois, balearam o policial bem onde ela estava”, relatou uma moradora, que não quis se identificar, sobre a tensão ocorrida ontem pela manhã durante um enfrentamento entre policias e traficantes.

Outra pessoa, que também pediu anonimato, contou que, há duas semanas, os confrontos passaram a ser constantes.

“Há uns 15 dias que há tiroteio direto. Neste último, alvejaram minha porta. Só deu tempo de pegar as crianças e tirá-las da sala. Na casa da minha vizinha, a bala acertou até a televisão”, contou outra moradora, sem se identificar.


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