Pesquisa revela que desânimo com o país atinge a metade dos fluminenses

A pedido do DIA, estudo feito pelo Instituto Gerp diz que só 10% dos moradores do Estado do Rio avaliam como boa a situação do Brasil

Por O Dia

Rio - A população do Rio de Janeiro está descrente com a situação do país. Pesquisa feita pelo Instituto Gerp, a pedido do DIA, revelou que apenas 10% dos moradores do estado estão satisfeitos com o Brasil. E para quase a metade da população fluminense (46%), o cenário brasileiro é ruim ou péssimo.

O estudo mostrou que 25% dos entrevistados consideraram que o rumo do Brasil está péssimo e, 21%, ruim. A maioria, 42%, o classificou como razoável. A esperança com a melhoria da situação também mostrou-se baixa: 49% das pessoas declararam que o Brasil continuará igual daqui a seis meses.

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Em contrapartida, número significativo (34%) tem confiança de que não vai perder o emprego, e 57% creem que seus rendimentos permanecerão iguais. Entre os entrevistados, 19% responderam que a chance de estar desempregado, ou alguém da família, nos próximos seis meses, é pequena e, 15%, muito pequena. A região Sul Fluminense é a área onde as pessoas temem mais perder o emprego, com 31% de chances.

O levantamento do Gerp também constatou que 37% da população é cautelosa na hora de mexer no bolso, com medo de fazer compras. Segundo o presidente do Instituto, Gabriel Pazos, a pesquisa prova que os moradores do Rio estão sem esperança. “Mesmo estando bem colocados no mercado, os cariocas estão desanimados devido aos índices econômicos ruins e os preços aumentando. Estão em dúvida sobre o que vai acontecer e, por isso, preferem esperar antes de arriscar suas economias”, diz Pazos.

Para o diretor da organização Transparência Brasil, Claudio Abramo, o resultado reflete a falta de expectativa de mudança no país em um ano eleitoral. “Pelos dados, a população acha que a realidade não vai mudar em nada, mesmo em um ano de eleição. Os cariocas estão pessimistas, com a sensação de estagnação e de que as coisas estão mal”, diz. O Gerp entrevistou 870 pessoas entre 18 e 23 de abril.

Sul Fluminense é a região mais insatisfeita no estado

Morador de Volta Redonda, no Sul Fluminense, o líder do Movimento pela Ética na Política, José Maria da Silva, atribuiu o pessimismo no país à falta de políticas públicas. A área foi a que teve pior resultado na pesquisa: 37% dos entrevistados avaliaram que a situação no Brasil é péssima. “Não existem grandes planos ou investimentos em educação, saúde e mobilidade urbana da cidade. Além disso, há muita descrença na política por conta da crise de valores éticos dos governantes, que cometem desvios e corrupções”, disse.

Depois do Sul Fluminense, a área mais insatisfeita com os rumos do país, segundo a pesquisa, foi a Baixada, com 28% de avaliação como péssima. Já a região classificada como periferia — que engloba os municípios de Paracambi, Itaguaí, Vassouras, Petrópolis e Teresópolis — foi onde se viu mais otimismo. Cerca de 21% classificaram como ótima e boa.

A cabeleireira Maria José Carvalho, de 63 anos, moradora da Lapa, disse que as condições do país estavam melhor há três anos. Ela também declarou não ter esperanças de que o cenário mude. “As pessoas estão em condições piores de vida, sem dinheiro. Prova disso é que nossa clientela diminuiu muito. As coisas também eram mais baratas no passado, agora ninguém consegue pagar. Não existe governo no Brasil, ou se tem, ele não faz nada”, desabafou, em seu salão vazio, numa sexta-feira, à tarde.

De acordo com os dados do Gerp, em relação à renda, 50% das pessoas que consideraram como ruim o cenário brasileiro ganham mais de 30 salários mínimos; e 12%, menos de um.

O comerciante Emerson Menezes, de 42 anos, morador do Salgueiro, disse que a situação está tão ruim que “não sabe onde moram os 10% da população que responderam que está boa”. “O pessimismo é grande devido à nossa má governança e ao processo de construção da cultura. Desde a nossa colonização, os líderes confundem o público com o privado e não pensam na população. Isso gera uma descrença generalizada nas instituições”, disse.

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