Por paulo.gomes

Rio - Depois da polêmica em torno da desocupação dos sem-teto do prédio da Oi, que culminou com a permanência de manifestantes no pátio da Catedral Metropolitana, neste domingo parte do grupo foi acolhido pela paróquia Nossa Senhora do Loreto, na Ilha do Governador.

Na paróquia Nossa Senhora do Loreto%2C na Ilha do Governador%2C ocupantes do Terreno da Oi aguardam soluçãoAlexandre Vieira / Agência O Dia

Em entrevista ao DIA, momentos antes de celebrar a missa na igreja de São Francisco de Paula, na Barra, o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, contou ter papel importante na intervenção e mediação do caso: “Estive à frente da negociação. Fizemos um bom trabalho para levar para frente aquilo que é justiça. Os ocupantes estão abrigados e bem acolhidos, sem estar embaixo de sol e chuva, enquanto a gente media soluções com as autoridades”, disse.

Apesar do auxilio e mediação da Igreja no caso dos sem-teto, Dom Orani lembra da responsabilidade pública em cumprir o que foi acordado entre as partes: “A responsabilidade é de quem prometeu casa para eles. E que cumpram a promessa”, afirmou o cardeal.

Enquanto ocorrem as negociações, cerca de 150 pessoas — entre crianças, mulheres grávidas, idosos e cadeirantes — permanecem na paróquia aguardando solução. A Igreja foi envolvida no caso desde a Sexta-feira Santa, no dia 18 de abril, quando os manifestantes ocuparam a Catedral impedindo a realização do Auto da Paixão de Cristo.

Missa e procissão para o padroeiro dos jornaleiros

Uma festa de caridade, humildade, devoção e fé. Assim foi a comemoração do Dia de São Francisco de Paula, o padroeiro dos jornaleiros, neste domingo, na Barra da Tijuca. Com a igreja lotada, Dom Orani Tempesta, celebrou a missa das 16h, que antecedeu uma procissão pelas ruas do bairro. “Essa festa é uma tradição, o que nos deixa muito feliz. É um dia especial para lembrarmos desse homem que simboliza a caridade e também dos que têm a missão de levar a informação às pessoas, que são os jornaleiros”, disse Tempesta.

O cardeal-arcebispo do Rio%2C Dom Orani Tempesta%2C celebrou missa na Paróquia de São Francisco de PaulaVitor Silva / Agência O Dia

Nascido na Calábria, Itália, Frei Dino — pároco da Igreja de São Francisco de Paula — é um entusiasta da afinidade que vem de longa data entre os jornaleiros e o seu santo protetor. “Esse casamento vem desde a Calábria. Os nossos jornaleiros são em sua maioria italianos, como São Francisco de Paula. Eles são nossos amigos e benfeitores”, disse Frei Dino.

Histórias de devoção ao santo eram contadas a todo momento em meio a alegria dos fiéis, que se deliciaram com as barracas que vendiam doces, salgados e, claro, pizzas. Salvatore Santoro, o mais antigo jornaleiro de Petrópolis, lembra, do alto dos seus 90 anos de idade e 70 de profissão, a primeira grande graça que São Francisco de Paula lhe concedeu. “Trabalhava em um banca como empregado, mas queria ter a minha. Pedi ao santo que me abençoasse e hoje tenho oito bancas, em Itaipava e Petrópolis”, conta o avô paterno do ator Rodrigo Santoro.

Há 54 anos no Brasil, o também italiano Ricardo Mandarino recorda que passou por muitas dificuldades financeiras quando chegou aqui, sozinho, ainda adolescente. Com saudade da família, rezava a São Francisco de Paula para um dia conseguir revê-los. “Doze anos depois, já estabelecido, fui para a minha cidade, Cosenza”. Entre os fiéis que lotavam a igreja estava Carlos Roberto Osório, ex-Secretário Municipal de Transportes e devoto do santo, ressaltou a importância dos jornaleiros. “Uma cidade bem informada, que consuma informação e cultura, é uma cidade melhor. E os jornaleiros têm um grande papel nisso. Sou muito feliz em ser amigo dos jornaleiros e de estar próximo a eles”, frisou.

Reportagem de Regiane Jesus

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