Por paloma.savedra

Rio -  Após o afundamento do solo na Rua Barão da Torre, em Ipanema, o consórcio da Linha 4 do metrô ainda não detectou o motivo que levou ao acidente. O uso do ‘Tatuzão’, utilizado na escavação, e uma possível falha geológica estão sendo analisados por técnicos. Até a apresentação de um laudo conclusivo, ainda sem previsão de entrega, as obras subterrâneas da região seguem interrompidas. Ontem, o governo do estado garantiu que a paralisação não vai interferir na conclusão da nova linha do metrô, mantida para o primeiro semestre de 2016.

“Houve uma ruptura lateral que se comunicou com a calçada provocando o afundamento, mas ainda não sabemos o motivo. Vamos refazer todos os cálculos para entender o que aconteceu”, explicou o engenheiro do consórcio, Aloísio Coutinho. As duas crateras que se formaram na manhã de domingo mediam 4 metros de largura e aproximadamente 2,5 metros de profundidade. Por conta do afundamento, alguns edifícios do entorno apresentaram rachaduras, mas o consórcio garantiu que não há risco no plano estrutural.

Técnicos trabalham no local onde dois buracos de 4 metros de largura por 2,5 de profundidade se abriramErnesto Carriço / Agência O Dia

“Fazemos um monitoramento diuturnamente com pinos que são instalados nos pilares e nas vigas dos edifícios. Todas as estruturas estão íntegras. Em alguns locais, ocorreram fissuras cosméticas de alvenaria e do próprio reboco que não induzem a riscos”, detalhou o engenheiro. Mais de 10 mil casas foram vistoriadas antes das obras e um segundo laudo comparativo será entregue quando a construção estiver pronta. “Os danos verificados no período durante as obras serão sanados pelo estado”, apontou Heitor Lopes, diretor da RioTrilhos, responsável pelas vistorias.

Nesta segunda-feira, durante almoço com empresários em Copacabana, o governador Luiz Fernando Pezão disse que todos os prédios de Ipanema estão sendo monitorados com a melhor tecnologia que existe no mundo. “Claro que a gente vai passar dois, três dias debruçados nos estudos, mas temos ali o melhor da engenharia nacional e internacional dando consultoria a essa obra”, declarou Pezão.

Para o vice-presidente do Crea-RJ, Manoel Lapa, o acidente servirá como alerta para intensificar a segurança da obra. “Não acredito que esse acidente irá atrasar a obra, mas com certeza será uma boa oportunidade para rever os procedimentos de segurança”, opinou Lapa.

Moradores do bairro reclamam de ‘faz-desfaz’ das obras do metrô

Os moradores da Rua Barão da Torre reclamam da falta de planejamento das obras da Linha 4 do metrô. O síndico do número 138 da rua, Rômulo Poltronieri, contou que há cerca de um mês, a rua já estava toda asfaltada e até os canteiros já tinham sido replantados. “Parecia que tinha acabado a obra na superfície, mas aí constataram problemas de encanamentos de esgoto e quebraram tudo de novo”, exemplifica o que chama de “faz-desfaz” das obras.

Os afundamentos causavam, até o final da tarde desta segunda-feira, transtornos como falta de água e gás nos prédios em frente aos buracos. Receoso com novos incidentes, o síndico Hamilton Ferreira, do número 137, um dos mais afetados por rachaduras na entrada do prédio, temia a abertura de buraco pela CEG, para restabelecimento do gás. “Será que essas pessoas sabem o que estão fazendo? Fico com medo de autorizar sem a presença da Defesa Civil”, comentou. A Cedae informou que religou a água no início da tarde.

O consórcio da Linha 4 informou que quatro moradores dos edifícios em frente às crateras preferiram passar o dia em hotéis, pagos pelo consórcio. A companhia acrescentou que as demandas dos moradores sobre as obras devem ser levadas ao centro de apoio, na Praça General Osório.

Você pode gostar