Sushi na feira é vendido a preço de banana

Barraca de comida japa roda pela cidade e serve pratos de nome inusitado a até 500 clientes num dia

Por bianca.lobianco

Rio - Dentre o cheiro das frutas e o barulho da máquina de extrair caldo de cana, uma receita do outro lado do mundo está fazendo sucesso nas tradicionais feiras livres da cidade. A preços acessíveis, a culinária japonesa e o colorido brasileiro se misturam por quatro bairros pelo sushiman Arnaldo Barcellos, de 48 anos, proprietário da barraca que começou como peixaria e há quatro anos roda por feiras da cidade vendendo sushi, sashimi e combinados.

Além do sabor, o humor imbatível do carioca também faz parte do cardápio: alguns pratos são batizados enquanto clientes e funcionários fazem graça. Em uma mistura de arroz, salmão, cream cheese, cebolinha e gergelim, a Perereca da Anita é a mais pedida pela freguesia. “Incluímos a receita no cardápio e pensávamos em um nome. Foi quando uma antiga cliente chamada Anita deu a sugestão”, explicou Barcellos. “Ela sempre pede a perereca dela. Todo mundo brinca dizendo que está comendo”, diverte-se.

Arnaldo Barcellos é dono da barraca que começou como peixaria e há quatro anos circula por feiras livres vendendo comida japonesaSeverino Silva / Agência O Dia

Feirante há mais de 30 anos, Arnaldo conta que a criatividade foi essencial para expandir seu negócio. “Tive a ambição de crescer oferecendo um produto atual. Hoje em dia o público da feira diminuiu porque os casais trabalham durante a manhã. É preciso inovar para se diferenciar”, disse, orgulhoso de seu comércio que começou com apenas um sushiman e hoje emprega 45 funcionários.

Um deles é Jefferson dos Santos, 27 anos. Acostumado ao trabalho pesado da construção civil, o ex-pedreiro trocou o martelo e a enxada pela delicadeza das lâminas. “Era uma trabalho de força e resistência, bem pesado. Agora preciso ter muita leveza nas mãos”, contou. Segundo ele, a inspiração para criar os pratos vem do próprio colorido das feiras. “Faço desenho com cenouras, pepinos. Busco o colorido e o sabor deste lugar para agradar ao público”, afirmou.

Um dos clientes mais antigos é o produtor de eventos Denizard Baldano, de 50 anos. Íntimo dos funcionários, ele acompanhou a evolução do negócio. “O atendimento e a variedade dos pratos evoluiu com o tempo. Os sushimen são dos melhores e muito criativos. Sem contar que é uma clima familiar, somos tratados pelo nome e damos muitas risadas juntos”, disse.

Com o nome de Sushibarcellos, a barraca funciona no Pechincha (Lona Cultural), Taquara (Rua Ariapó, em frente ao Clube Português), Grajaú (Av. Julio Furtado), Ilha do Governador (Praça da Ribeira) e Andaraí (Rua Silva Teles, esquina da Rua Maxwell), de quarta-feira a domingo. O atendimento sempre é feito das 6h às 14h.

Plano é criar cozinha em um furgão

Em comparação a restaurantes especializados em culinária orienta na cidade, o sushi de feira é vendido a preço de banana. Uma peça de sashimi de salmão sai por R$ 1,00, valor que chega a ser 30% maior em estabelecimentos consultados na Zona Norte da cidade. Em relação a restaurantes da Zona Sul, a diferença aumenta.

Segundo o proprietário, sábado é o dia de maior faturamento, quando mais de 500 pessoas chegam a consumir os pratos ao longo do dia. “A feira na Ilha do Governador fica lotada”, relata. Ele ainda contou que montar uma cozinha industrial dentro de um furgão está nos seus próximos planos.

Graça atrai clientes

A Perereca da Anita não é o único prato de nome inusitado no cardápio do Sushibarcellos. Batizado como Sensação da Gigi (R$ 5,00 a unidade), uma mistura de morango com castanha e calda de chocolate surgiu por meio de uma brincadeira interna dos funcionários.

“Uma garçonete chamada Gigi arrumou um namorado estrangeiro e ficava o dia inteiro postando fotos do casal no Facebook. O pessoal não é mole e postava nos comentários que já tinha ficado com ela. Daí surgiu a Delícia da Gigi”, contou Alberto Barcellos.

Para Barcellos, incluir o nome de funcionários nos pratos é uma forma de recompensa e estímulo. “Procuro incentivá-los a serem criativos como procuro ser no meu comércio, pois é um trabalho de equipe. Sempre faço homenagens a eles, quando trazem uma nova receita que vende”, disse.

É o caso do Shakebi da Lelê (arroz, alga, camarão e fatia fina de salmão em volta por R$ 2,00 a unidade), o Especial D’Black (torre de salmão, geléia de pimenta e molho especial por R$ 2,50 a unidade) e o Salmão Crocante do Russo (salmão grelhado, flocos de arroz, castanha, teriaki e raiz forte por R$ 2,00 a unidade).

“Tem tudo a ver com o ambiente de feira, onde os comerciantes vivem fazendo graça para atrair clientes”, elogiou a estudante Julia Martins, 20 anos.

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