Alemães repercutem em desenhos intervenções deflagradas por Mundial

Jonh e Ron já fizeram vários painéis em grafite pelo mundo para se manifestar em prol dos Direitos Humanos e da Justiça Social

Por bianca.lobianco

Rio - Eles são artistas, ativistas e não falam português, mas conhecem bem o Rio. Dois alemães estão na cidade com uma missão: deixar em muros da Lapa, no Centro, uma mensagem social sobre as intervenções urbanas por causa da Copa do Mundo. Jonh e Ron fazem parte de um grupo chamado Captain Borderline, de Colônia, na Alemanha, e já fizeram vários painéis em grafite pelo mundo para se manifestar em prol dos Direitos Humanos e da Justiça Social. Uma manifestação silenciosa, mas impactante em imagens no melhor estilo arte de rua.

Na Rua da Relação%2C Jonh e Ron usam andaime para criar imagem que mescla futebol%2C favela e crítica socialJoão Laet / Agência O Dia

Segundo John, é a segunda vez que eles se hospedam ao Rio de Janeiro. Na primeira, há seis anos, fizeram pinturas em casas dentro de favelas. Agora, eles pintaram uma bola de futebol gigante com um trator que destrói uma favela, que tem embaixo um tapete vermelho. O trabalho durou duas semanas para ficar pronto. “Viemos aqui para apoiar, com nossa arte, o movimento de protesto no Rio”, explicou o artista, que deve deixar o país amanhã. Eles acrescentam que querem mostrar aos visitantes que vêm assistir aos jogos da Copa toda a realidade da cidade.

Os desenhos foram pintados em um muro na Rua da Relação, próximo ao número 55, e em outro na Rua dos Inválidos. O coletivo Captain Borderline é um dos ícones nesse tipo de arte, respeitado em todo o mundo. Com desenhos questionadores, os artistas do grupo já grafitaram sobre a crise do euro; o caso de espionagem feito pelos EUA, e que teve repercussão no ano passado; e a liberdade de expressão na China.

Cristo, afinal, é brasileiro

A partir das 20h de hoje, o Cristo Redentor ganha iluminação especial. O cardeal arcebispo dom Orani Tempesta acenderá as luzes do monumento, com um toque num tablet. O monumento receberá inicialmente uma projeção de cores que vai remeter à ascensão de Jesus Cristo ao céu – trabalho do lighting designer, morto recentemente, Peter Gasper, em conjunto com Gabriel Maritato, da Embraarte. Em seguida, as cores verde e amarela serão projetadas, em homenagem ao país-sede da Copa do Mundo. O Cristo Redentor permanecerá iluminado em verde- amarelo somente nos dias de jogos da Seleção. Um software permite a economia de energia.

Vale tudo pelos jogos

Cerca de 6.180 quilômetros. Essa é a distância entre a cidade de Loja, no Equador, e o Maracanã, caminho que está sendo percorrido de bicicleta desde março pelos equatorianos Ernesto Veintimilla e Andres Verzoto, que pretendem chegar ao Rio no dia 25 de junho, a tempo de acompanhar a partida entre Equador e França, válida pela terceira rodada do grupo E, pela Copa do Mundo.

A dupla faz parte do grupo Cicloviajeros, que realiza atividades pela América do Sul, combinando turismo com conservação do ambiente, por meio do incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte

“Percorrer América do Sul de bicicleta sempre foi o nosso sonho, e a Copa pareceu a oportunidade perfeita para isso. Sem pensar muito, partimos em viagem”, disse Veintimilla, num momento de descanso na cidade de Miranda, no coração do Pantanal, Mato Grosso do Sul.

Ele diz pedalar 400 km a cada quatro dias, descansando no quinto, e já enfrentou neve a mais de 4.700 metros de altura no Peru, passou pela Bolívia, e pretende estar inteiro na estreia do Equador no dia 15 de junho, contra a Suíça, em Brasília. Até o momento, eles estão encantados com o Brasil, e a grande dificuldade tem sido o idioma. A barreira linguística, entretanto, não os impede de difundir um ideal por onde passam: a defesa de uma forma de vida mais calma.

“Queremos divulgar uma nova sociabilidade por meio do uso da bicicleta e celebrar o futebol como uma festa”.

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