Paixão de Carnaval acaba em morte em vila de Madureira

‘Vigias’ são acusados de assassinar a pedradas e socos rapaz que namorava no local

Por bianca.lobianco

Rio - O que era para ser um alegre dia de Carnaval em Madureira, Zona Norte do Rio, com direito a fantasia de Mulher Maravilha, se transformou em tragédia. Desde então, familiares de Jerson Regis do Nascimento, 21 anos, buscavam respostas para a sua morte na madrugada de 2 de março. Na semana passada, a Divisão de Homicídios (DH) chegou aos suspeitos, e o motivo do crime chocou: Jerson foi assassinado a pedradas e socos por namorar numa vila.

Indiciados por homicídio qualificado, Paulo Vitor Ferreira da Silva e Vinícius da Rocha Moreira de Carvalho já estão presos, acusados do crime. Um terceiro suspeito, identificado como Neném, está sendo procurado. De acordo com as investigações, que duraram cerca de dois meses, eles decidiram matar a vítima, que era de Campinho, depois de flagrar o jovem aos beijos com uma mulher, que também não morava na Rua Soares Caldeira. A jovem foi liberada pelos agressores. Além de desferir vários golpes, o trio teria atingido a vítima na cabeça com uma pedra.

“Ele estava muito feliz naquela noite e tinha saído com amigos fantasiados de Mulher Maravilha. Eles só queriam curtir, se divertir durante o Carnaval. Mas foi morto sem motivo. Foi condenado por estar namorando. Eu tinha dito a ele uns dias antes para deixar o Carnaval de lado, pois as coisas estavam muito violentas”, lamenta a doméstica Girlene Regis de Lima, de 52 anos, que, abalada, parou de trabalhar desde a morte do filho.

Para os familiares, a prisão dos suspeitos traz uma espécie de conforto para a dor que nunca vai passar. “Quero olhar bem nos olhos deles e perguntar o motivo de terem feito aquilo com o meu filho. Espero também que eles não saiam mais da cadeia. Têm que pagar pelo que fizeram”, espera Girlene, bastante emocionada.

Casal homossexual teria sido roubado por um dos presos

Moradores contaram que o trio é conhecido na região e costuma agredir pessoas estranhas que entram na Vila Magno para qualquer finalidade. Em depoimento, uma pessoa contou que Paulo Silva, inclusive, já teria sido preso por roubar um casal homossexual flagrado no local. Além disso, um dos acusados é suspeito de estuprar uma mulher na rua.

Preponderante para incriminar Silva e Vinícius de Carvalho, que também apresentaram diversas contradições e culparam um a outro em depoimento, foi o depoimento de uma testemunha que presenciou o momento em que a vítima foi levada para o terreno baldio, atrás da vila, chamado de horta.

Antes, porém, os acusados teriam ‘judiado muito do rapaz vestido com roupa de mulher’. Durante a investigação, os agentes da DH ouviram ainda várias pessoas que contaram que todos no local sabiam que os três haviam participado da morte de Jerson.

“Eles acabaram com o sonho de um jovem, que queria abrir um salão de cabeleireiro. Meu filho era querido por todos. Só Deus sabe a dor que estou sentindo. Quantos jovens mais vão perder a vida a troco de nada?”, indagou Girlene, mãe da vítima.

O pedido de prisão preventiva dos três indiciados, Silva, Carvalhoe ‘Neném’, já foi encaminhado à Justiça.

Rotina de roubos e agressões

Em depoimento na delegacia, um amigo de Jerson do Nascimento, que o acompanhava no Carnaval, próximo à quadra da escola de samba Império Serrano, em Madureira, contou que o jovem foi até a vila depois de conhecer uma garota, de madrugada.

Na entrada, Paulo Ferreira da Silva, Vinícius da Rocha Moreira de Carvalho, ‘Neném’ e outros homens teriam abordado a vítima, que não morava ali, mas liberado sua entrada. Já a testemunha, que tentou seguir o colega, foi impedida e voltou para casa.

“Descobrimos que eles se intitulavam os milicianos da vila e costumavam agredir e roubar quem não era morador e decidia entrar no local para urinar ou namorar”, contou Alexandre Herdy, delegado responsável pelas investigações.

“Quando encontraram o garoto lá, começaram a agredi-lo, mas acabou sendo executado. O corpo de Jerson foi jogado em uma horta, nos fundos da Vila”, detalhou o delegado.


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