Direção da UPA de Madureira nega omissão de socorro a idosa

Segundo Secretaria Municipal de Saúde, bombeiro que fez denúncia é ex-funcionário e foi demitido recentemente

Por paloma.savedra

Luiza da Penha Cabral Baptista%2C de 68 anos%2C morreu na noite de terça na UPA de Madureira. A família alega que houve omissão de socorro dos médicos da unidadeUanderson Fernandes / Agência O Dia

Rio - Após as denúncias de omissão de socorro à idosa Luiza da Penha Cabral, de 68 anos, na UPA de Madureira, a Secretaria Municipal de Saúde se defendeu e negou que a paciente não foi atendida. Segundo parentes e o bombeiro que levaram Luisa à unidade, o médico de plantão apenas observou a paciente e disse que ela não resistiria.

De acordo com a secretaria, a direção da UPA de Madureira informou que a paciente deu entrada na unidade às 18h20, já em parada cardiorrespiratória havia pelo menos 40 minutos, conforme o relato do próprio bombeiro que a socorreu. 

A direção alega que Luisa foi atendida pelo médico plantonista e por dois enfermeiros que iniciaram as manobras de reanimação, sem sucesso, sendo o óbito constatado pelo médico às 18h55 (35 minutos após o atendimento). 

A secretaria rebateu as críticas do bombeiro e técnico de enfermangem que socorreu a vítima. Segundo a secretaria, o bombeiro é ex-funcionário da UPA de Madureira e foi demitido no dia 11 de fevereiro por justa causa.

A família registrou uma ocorrência na 29ªDP (Madureira) por desacato e omissão culposa. Há 36 dias, o marido da vítima morreu na mesma unidade de saúde. A secretaria afirmou ainda que a direção da UPA vai colaborar totalmente com a Polícia Civil e fornecer todos os documentos solicitados para a investigação.

Idosa estava dentro de ônibus

Luiza estava num ônibus com uma amiga, indo casa, em Vila Valqueire, quando começou a passar mal. De acordo com a cuidadora de idosos Regina Moraes do Nascimento, de 60 anos, Luiza pediu ajuda. "Ela disse para eu ajudá-la, senão iria morrer", disse.

Regina foi a primeira a ligar para o Samu e pedir socorro. Ela contou que o trânsito estava engarrafado e teve que pedir ajuda a outros moradores da rua para abrir caminho e deixar a ambulância passar. A jornalista Cristiane Pepe, que estava em outro ônibus, desceu e ajudou a socorrer a idosa. Elas contaram que um dos bombeiros foi a pé ao local onde estava a idosa porque a ambulância não conseguia avançar.

O marido de Luiza da Penha Cabral Baptista também morreu neste ano na mesma unidade de saúdeUanderson Fernandes / Agência O Dia

"Ele fez os primeiros socorros e reanimou a senhora. Eu senti o pulso dela pelo pescoço e ela disse que sentiu pela virilha", contou a jornalista.

A equipe, formada por dois enfermeiros, encaminhou a Luiza para a UPA de Madureira, a unidade de saúde mais próxima. Segundo um dos bombeiros, eles entraram pelos fundos e se encaminharam para a sala vermelha, dedicada a emergências graves. O bombeiro disse que, como o médico não prestou socorro,  pediu autorização para aplicar adrenalina, um medicamento que acelera os batimentos cardíacos, na idosa.

"Ele disse que eu poderia fazer, mas que não adiantaria porque ela não iria resistir. Ele mesmo sequer calçou luvas", disse o bombeiro.

Cristiane Pepe também entrou na sala vermelha, mas saiu a pedido do médico. De acordo com ela, menos de dois minutos depois de ela sair da sala, o médico saiu e alegou que Luiza tinha morrido. Após questionar os procedimentos, por causa do tempo, ela ficou sem resposta. Apenas o ouviu xingando o bombeiro.

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