Em audiência, testemunhas confirmam que PMs forjaram flagrante em protesto

Vítima, um menor de 16 anos, e a ativista conhecida como Sininho confirmaram que policiais trouxeram morteiros de outro manifestante e tentaram incriminar adolescente

Por thiago.antunes

Rio - O Tribunal de Justiça promoveu, nesta quarta-feira, uma audiência para ouvir três testemunhas que acusam dois policiais militares de terem forjado um flagrante contra um jovem em uma manifestação, ocorrida no dia 30 de setembro de 2013, no Centro do Rio. A primeira pessoa a ser ouvida foi o rapaz, um menor de 16 anos, dono da mochila em que os PMs teriam plantados três morteiros.

Durante o depoimento, a vítima relatou que foi abordado de forma bem agressiva pelo major Fábio Pinto Gonçalves e pelo primeiro tenente Bruno César Andrade Ferreira na hora de revistar sua bolsa. O adolescente ainda contou que o tenente seria responsável por trazer o artefato e fingir que estava na bagagem. Levado para a 5ª DP (Mem de Sá), o menor aguardou por quase duas horas até a chegada do major Fábio com os três morteiros. A mochila só foi encontrada dois dias depois, durante um movimento de ocupação política na Câmara dos Vereadores do Rio.

Tenente Bruno César foi flagrado com morteiro na mão durante protesto no CentroReprodução

Os dois policiais respondem respondem por constrangimento ilegal e já foram ouvidos em audiência anterior.

Sininho foi ouvida

A ativista Elisa Quadros, mais conhecida pelo apelido de Sininho, também foi ouvida. Ela contou que viu quando tenente apreendeu os morteiros de outro manifestante, que conseguiu fugir na confusão, e que foi em direção ao rapaz de mochila. "Não parecia bem uma revista, então, fiquei prestando atenção. Quando eu ouvi um dos PMs falar 'Ah, você está preso' para o menor, lembrei que falaram desta forma na tentativa de prisão anterior e chamei pessoas para filmar", contou Elisa. Ainda na audiência, a história do primeiro manifestante, que estaria de posse do material, foi confirmada pelo professor de história Eduardo de Souza, que participava da manifestação no momento da prisão.

Além dos dois, o sargento Alexandre Rocha, que conduziu o jovem até a delegacia, relatou que foi instruído pelo major Gonçalves para registrar ocorrência e, que por conta disso, faria inclusive se soubesse previamente que se tratava de menor de idade."Só recebi a ordem para algemar e levá-lo a delegacia. Não falou o motivo", comentou. As testemunhas de defesa vão prestar depoimento em outra sessão, ainda sem data marcada.

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