Rio - Apesar do apoio do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), dos senadores Marcelo Crivella (PRB) e Lindberg Farias (PT) e do deputado federal Anthony Garotinho (PR), todos aspirantes ao comando do Palácio Guanabara, a presidenta Dilma Rousseff terá palanque próprio no estado. E sua agenda de campanha não necessariamente coincidirá com a dos candidatos estaduais.
Além disso, nos programas de TV e rádio, a presidenta só poderá pedir votos para Lindberg, por ser ele o candidato do PT. A situação, que atende a uma questão legal e resolve o que poderia se tornar constrangimento para ela e para os candidatos de partidos da base aliada do governo federal, é provocada pelas alianças do PT fluminense, que não se coligou com PMDB, PR e PRB em nível estadual.
A montagem do palanque presidencial no estado, porém, vem sendo criticada por membros do diretório regional do partido. Segundo eles, o coordenador da campanha de Dilma no Rio, o vice-prefeito da capital, Adilson Pires, está atrasado nas articulações.
O prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (sem partido), era o primeiro nome escolhido para coordenar a campanha da presidenta no Rio, mas, atualmente, está mais próximo da campanha de Pezão para governador.
Cardoso é considerado pelos correligionários como mais habilidoso no trânsito entre partidos e formaria uma parceria com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), dissidente da aliança de sua legenda com o presidenciável Aécio Neves (PSDB) e está cotado para assumir o movimento “Dilmão” (Dilma e Pezão), em contrapartida ao “Aezão”, liderado pelo presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani.
De Adilson, espera-se que consiga convencer Pezão, Garotinho e Crivella a subir no palanque de Dilma Rousseff sem que a presidenta sequer peça votos para eles, apenas apresentando-os aos eleitores presentes como seus candidatos, assim como fez Lula em 2006, em campanha para presidente, quando tinha a seu lado o petista Vladimir Palmeira e o senador Crivella, então candidatos ao governo estadual.
Para que a estratégia do PT nacional não falhe, há a possibilidade de que Dilma monte palanques nos redutos eleitorais de cada um dos candidatos. Nesse sentido, o partido poderia promover um encontro em Itaperuna, por exemplo, para aproveitar a força do deputado Anthony Garotinho no Noroeste do estado. Nesse caso, ficaria a critério dos demais aliados comparecerem ou não ao evento no reduto eleitoral de Garotinho.
Apesar do cenário, que favorece Lindberg, a grande aposta dos petistas fluminenses para que o senador chegue ao segundo turno atende pelo nome de Lula. A expectativa é que o ex-presidente seja o diferencial da campanha do candidato do PT no Rio. Por isso, Lula deve aparecer mais que a presidenta nos programas de TV e rádio, além de ficar mais tempo disponível para a agenda de Lindberg nas ruas.
Petista terá Lula a seu lado
No PT fluminense, comenta-se que, caso o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, chegue ao segundo turno, o cenário mais interessante de disputa seria contra o governador Luiz Fernando Pezão. Nesse caso, atendendo à lei eleitoral, o governador do Rio teria que continuar coligado a Aécio.
Dilma, então, não dividiria suas atenções e focaria na campanha de Lindberg. Lula, por sua vez, se veria livre da relação com o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, seu desafeto desde que o petista apoiou Lindberg Farias e Crivella em 2010 para o Senado e fez com que o líder peemedebista perdesse a eleição no Congresso.
Outro cenário tido como favorável a Lindberg é o enfraquecimento da candidatura do petista Alexandre Padilha (ex-ministro da Saúde), outro pupilo de Lula, para o governo de São Paulo. Se o PT nacional fizer um movimento para apoiar Paulo Skaf (PMDB), diante do fraco desempenho de Padilha nas pesquisas, Lindberg poderá ganhar ainda mais a atenção de Lula para sua campanha.




