Maioria não segue partidos e defende voto facultativo

Pesquisa do Instituto Gerp constata que apenas 34% aprovam a obrigatoriedade de votar

Por bianca.lobianco

Rio - Os partidos políticos chegam em baixa nesta eleição. Pesquisa feita pelo Instituto Gerp entre os dias 20 e 25 de junho constatou que a maioria da população do Rio (91%) não tem partido. Somente 9% declararam ter preferência por alguma legenda. Mais da metade dos entrevistados, 55%, admitiu votar no candidato contra 31% que escolhem baseados na sigla partidária. Apenas 1% vota nos dois, candidato e partido, e 13% não responderam.

O levantamento detectou também que seis em cada dez eleitores fluminenses consideram que o voto deve ser facultativo. Só 34% acham que deve continuar obrigatório. “Há um desencanto com a política, com os partidos e os governos”, diz o cientista político Ricardo Ismael, ao comentar o desinteresse pelo voto. Ele lembra que ao longo dos últimos 25 anos, período da redemocratização, cresce o voto facultativo, aquele em que o eleitor não comparece às urnas.

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Segundo ele, os jovens de hoje, que não viveram a ditadura e, portanto, não reivindicaram o voto direto. Eles consideram um direito, e não um dever. “Mas, como estamos numa democracia representativa, há uma contradição nesse tipo de posição, pois o voto ainda é a maneira efetiva de mudar. Não votar mantém o status quo”, alerta Ismael.

A advogada Ericka Gavinho, 35 anos, concorda com o professor da PUC-Rio. Ela, que foi às ruas em 2013 e apoia as manifestações, diz que os partidos perderam a representatividade junto à população. “Isso serve como um recado. As atuais alianças, por exemplo, embaralharam o eleitor. Como pedir para acreditarem na política?”, indaga Ericka.

Filho do ex-governador Sérgio Cabral e estreando na disputa eleitoral, Marco Antônio Cabral, 23 anos, é a favor do fim da obrigatoriedade do voto: “Os partidos não conseguiram canalizar o interesse dos jovens, surgido nas manifestações. Parece que o sistema é feito para afastar o jovem.”

O casal Jeferson e Ane Mendonça, 65 e 71 anos, também crê que o voto não deveria ser obrigatório. “Se pudesse optar, eu não votaria mais”, afirmou Ane. “Hoje em dia, só voto na pessoa, porque os partidos ora estão juntos, ora se odeiam”, acrescentou Jeferson.

O PT é apontado como o partido preferido entre 63% dos entrevistados. O PMDB, legenda que governa o estado há oito anos, tem 9% da preferência, e o PDT, 8%.

Aliança sem programas

Para Ricardo Ismael, o desinteresse do eleitor pelos partidos políticos pode explicar a opção pelos movimentos sociais, cujo colegiado é mais difundido. “Os partidos estão mais burocráticos, e as alianças não discutem as questões programáticas. São mais pragmáticas em torno do tempo de TV”, afirma.

Em relação à pesquisa do Instituto Gerp, o presidente regional do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani foi lacônico: “A voz das ruas sempre tem razão”, disse o político.

Já o presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, afirma ser contra o voto facultativo. Segundo ele, se isso ocorresse, afastaria ainda mais o eleitor, principalmente os mais pobres; entregaria a eleição a candidatos profissionais e facilitaria a compra de votos.

O prefeito de Maricá atribui a preferência das pessoas pelo PT à capilaridade do partido junto aos movimentos sociais e a suas raízes populares.

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