Comerciantes têm receio de confusões na Tijuca em dia de final da Copa

Donos de bar temem reação por parte dos torcedores argentinos e alguns chegam a contratar segurança extra para abrir estabelecimentos

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Não é só pela possibilidade de vencer uma Copa em pleno Maracanã que a classificação argentina para a final do Mundial tem feito com que parte dos brasileiros ‘torça o nariz’. Donos de bares e restaurantes no entorno do estádio, que um dia sonharam com recordes de vendas, hoje aguardam apreensivos pela decisão do título contra a Alemanha, no próximo domingo. A fama de provocar confusão, que parte da torcida hermana carrega, tem sido responsável por fazer com que muitos comerciantes pensem em sequer abrir as portas, diante da promessa da ‘invasão azul e branca’.

Possíveis brigas e saques provocados pelos nossos maiores rivais têm sido citados como principais motivos para o temor. Na Praça Vanhargen, tradicional reduto de torcedores, onde é permitida a venda de bebidas em dias de jogos, a regra é clara: em caso tumulto, comerciantes pretendem baixar as portas. “Há muitos argentinos brigões e a maioria aqui é de mochileiros, sem dinheiro. Tivemos tumultos no primeiro jogo, contra a Bósnia”, generalizou o dono do Bar Vanhargem Antônio Dias. Para evitar prejuízos, ele e outros comerciantes só venderão cerveja em lata e as servirão em copos plásticos, com pagamentos adiantados.

Gerente do Garota da Tijuca%2C José da Cruz teme por torcedores violentos e manifestantesEstefan Radovicz / Agência O Dia

No tradicional Bar Siri, em Vila Isabel, um efetivo de seguranças particulares já foi contratado para conter possíveis conflitos. “Estamos acostumados a receber público de times rivais, depois de clássicos, mas é diferente. São pessoas que estão de passagem, com pouco a perder, e tenho a segurança dos meus funcionários como prioridade”, afirma o gerente do Siri, Luiz Carlos Almeida.

No Garota da Tijuca, há ainda o medo de que os estrangeiros entrem em conflito com possíveis manifestantes brasileiros, que já realizaram protestos na região em outros jogos. “Torci por uma final entre Alemanha e Holanda”, disse o gerente José da Cruz. Funcionários de outros bares da área, como o Buxixo e o Rota 66, também disseram que fecharão se houver sinais de violência.

Dúvidas sobre vendas fortes

Além do medo de ‘quebra-quebras’, empresários não esperam grande faturamento em vendas. “O esquema especial de trânsito e a iminência de brigas afastam as famílias, que são meu público diário. Isto acaba equilibrando as coisas e não há vendas muito maiores com o maior movimento”, disse Antônio Dias, do Bar Vanhargen.

No Estação Maracanã, na Rua Visconde Itamaraty, o dono Raimundo Magalhães encomendou uma carga extra de 30% de cervejas, mas teme que fiquem encalhadas. “Deus traga paz e me faça vender.”

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