MP pede prisão de policiais suspeitos de participação em esquema de propina

Os quatro acusados, lotados na 34ª DP (Bangu) exigiam propina de ambulantes, mototaxistas e pequenos empresários de Bangu, na Zona Oeste do Rio, segundo a denúncia

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu nesta sexta-feira à Justiça a prisão preventiva de dois policiais civis e dois policiais militares pelos crimes de quadrilha armada e suborno de funcionários públicos. 

Segundo a denúncia,  à época dos crimes, os quatro acusados, lotados na 34ª DP (Bangu) exigiam propina de ambulantes, mototaxistas e pequenos empresários de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os policiais aproveitavam da situação irregular dessas pessoas ( vendedores de produtos “piratas” e, no caso dos mototaxistas, transportavam pessoas em situação clandestina) para cobrar  proopina que variava entre R$ 50 e R$ 100. Os policiais também cobravam dinheiro de clubes da região, para que pudessem realizar shows e festas. O dinheiro, ainda de acordo com o MP, era recolhido às quintas e sextas-feiras.

O policial civil Carlos Antônio Torres, apontado como líder da quadrilha, atuava como chefe do Setor de Investigações em Bangu e estava lotado na 27ª DP (Vicente de Carvalho) até ser preso temporariamente por cinco dias. Já o policial militar Jorge José de Oliveira Santos, do 14º BPM,  é acusado de trabalhar clandestinamente na delegacia, obtendo lucros ilícitos por meio do esquema de propina. O PM reformado Carlos Alberto Braz de Oliveira é apontado como o responsável pelo recolhimento do dinheiro junto a comerciantes no Mercadão Popular de Bangu. Completa a lista de denunciados o policial civil Joel Nobre Fernandes

O MP pediu a instauração de inquérito junto à CGU para apurar o suposto envolvimento do delegado titular da 34ª DP, Jader Machado Amaral, chefe imediato de Carlos Antônio Torres, tanto na 34ª DP como na 27ª DP.

No ano passado, durante a primeira Operação Compadre, 66 pessoas, incluindo 45 policiais militares, seis policiais civis e 14 civis (não policiais) foram presos. Segundo as investigações, os réus exigiam de camelôs e mototaxistas, por meio de ameaças com armas, determinadas quantias de dinheiro: os comerciantes que trabalhavam com mercadorias “pirateadas” (DVDs, aparelhos eletrônicos, telefones celulares, roupas e relógios usados) eram coagidos a pagar R$ 70, divididos em duas parcelas de R$ 35, cobradas todas as quartas e quintas-feiras

Já dos vendedores de mercadorias lícitas, era cobrada a quantia de R$ 5, sempre as sextas e sábados; dos feirantes que ocupavam a Rua Marechal Marciano, em Bangu, eram cobrados valores semanais entre R$ 5 e R$ 50; para os mototaxistas, a propina variava entre R$ 50 e R$ 100 por ponto. Além disso, mercadorias apreendidas de forma irregular eram revendidas a outros feirantes.

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