Polícia registra ocorrência contra deputada que deu carona a ativistas

Janira saiu do prédio do Consulado do Uruguai na noite de segunda-feira com ativista considerada foragida

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A Polícia Civil informou que registrou ocorrência nesta terça-feira contra a deputada estadual Janira Rocha (Psol) pelo crime de favorecimento pessoal. O registro realizado pela 10ª DP (Botafogo) foi comunicado ao Tribunal de Justiça e à Assembleia Legislativa. Janira saiu do prédio do Consulado do Uruguai na noite de segunda-feira com a advogada Eloísa Samy - considerada foragida - e mais um casal de namorados, também ativistas, que pediram asilo no país, e deu carona aos três até São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Durante ato contra a criminalização da Liberdade de Manifestação, realizado na manhã desta terça-feira, na Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro, a deputada rebateu as acusações de que facilitou a fuga dos manifestantes. 

Deputada estadual Janira Rocha nega que conhecia os ativistas e alega ter apenas dado uma carona a eles na saída do Consulado do Uruguai na última segunda-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

"Não facilitei fuga alguma. A obrigação de prendê-los ou mantê-los dentro daquele local é do estado e da polícia. Sou parlamentar e a Constituição Federal me manda fiscalizar as condições as quais essas pessoas estão sendo submetidas", declarou a deputada, que completou:

"Entrei pela porta da frente do consulado e saí pela porta da frente. Faria de novo, dei apenas uma carona a três ativistas. Fui pelo elevador, depois pela garagem, com todo meu trajeto filmado pelas câmeras de segurança e não dei fuga a ninguém. Apenas atendi a um pedido de carona até o bairro de São Conrado". De acordo com a Polícia Civil, ela pode ser indiciada por crime de favorecimento.

A deputada alega ainda que não conhecia os ativistas e que foi ao Consulado do Uruguai também tentar convencer a cônsul Myrian Franschini a permitir a permanência dos três, até que fosse concedido o habeas corpus pela Justiça.

"Não conhecia a Eloísa. Conheci ontem (segunda-feira), depois que me pediram para acompanhar os ativistas até que fosse concedido o habeas corpus. Mas a ordem da cônsul era para que todos saíssemos de lá. Não esperaram que o habeas corpus saísse", disse a deputada.

Membros da OAB criticam prisões

Desde as 10h desta terça-feira, advogados e manifestantes participam de ato de desagravo às prisões dos 23 ativistas, denunciados pelo Ministério Público, na sexta-feira. Entre os acusados, estão a manifestante Eloísa Quadros, conhecida como Sininho, e Fábio Raposo, que já responde a outro processo criminal, pela morte do cinegrafista Santiago Andrade. Ao final do ato, será assinado um manifesto coletivo contra as prisões.

O 'Ato em Defesa da Democracia e Contra a Criminalização da Liberdade de Manifestação' foi aberto com pronunciamento do vice-presidente da OAB-RJ, Ronaldo Cramer. "Desde o início das manifestações, a OAB tem dado apoio aos advogados que queiram exercer seu trabalho. Não somos a casa dos advogados. Somos, acima de tudo, a casa da Democracia. E por isso apoiamos os trabalhos de todos os profissionais", declarou Cramer.


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