Complexo do Alemão tem manhã de aparente tranquilidade

Maioria das escolas, assim como o teleférico, estão funcionando nesta quarta. De acordo com a CPP, não houve registro de confronto entre policiais militares e traficantes

Por paulo.gomes

Rio - Após cinco dias de tensão, o clima no Complexo do Alemão é relativamente tranquilo na manhã desta quarta-feira. Diferente dos dias anteriores, de acordo com a assessoria da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), não houve registro de confronto entre policiais militares e traficantes. Mesmo assim, o policiamento está reforçado na região com PMs de diversas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

O Teleférico, que não funcionava desde a última sexta-feira por conta dos tiroteios, voltou a operar por volta das 9h10. Já as 37 escolas que não funcionaram na terça-feira e deixaram mais de 10 mil estudantes sem aulas, funcionam normalmente. Menos, dois espaços de desenvolvimento. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, são 437 sem atendimento nesta quarta.

O teleférico do Complexo do Alemão voltou a funcionar na manhã desta quarta-feira, após ficar cinco dias fechadoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Os últimos conflitos tiveram início no sábado, após a morte de Diogo Wellington Costa, o Bebezão, de 28 anos, acusado de ser um dos chefes do tráfico no complexo, e de Matheus Alexandre Silva dos Santos, o Papa, de 18, que também seria envolvido com o tráfico.

Domingo, a base da UPP Nova Brasília foi atacada, e uma viatura, incendiada. Um policial levou tiro. O sociólogo Reginaldo de Lima, coordenador da ONG Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção do Morro do Alemão, lamentou a tensão. “A explicação é simples para essa tragédia anunciada: evasão escolar, mais ócio, falta de oficinas profissionalizantes e ausência da família. Isso resulta em mão de obra fácil para a criminalidade.

Mais de 60 menores apreendidos entre janeiro e maio

Sessenta e quatro menores de idade foram apreendidos, entre janeiro e maio deste ano, no Complexo do Alemão — boa parte deles sob acusação de integrar a linha de frente do tráfico de drogas na região. Conforme O DIA publicou nesta terça, levantamento do Serviço de Inteligência da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) comprova que chefes do tráfico passaram a recrutar em grande quantidade adolescentes para atuar em quadrilhas e muitos enfrentaram policiais militares.

A Polícia Civil informou que o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Gilson Perdigão, abriu inquérito para investigar o uso de menores, entre 12 e 17 anos, em funções importantes na venda de drogas. Em nota oficial da instituição, Perdigão adiantou que ‘os maiores integrantes das quadrilhas locais, além de responderem por tráfico e associação para o tráfico, serão indiciados por corrupção de menores’.

O delegado da 45ª DP (Alemão), Felipe Curi, confirmou que traficantes do complexo estão colocando adolescentes e adultos sem antecedentes criminais na linha de frente contra a polícia. “Essas pessoas são orientadas a atacar a polícia e comercializar drogas de forma dissimulada. Desde a inauguração da delegacia, há sete meses, 48 mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos contra bandidos que aliciam crianças e adolescentes”.

Nos portões e muros de casas no Complexo do Alemão%2C a marca da ação violenta de traficantesAgência O Dia

Maioria apoia redução de idade penal

A maioridade penal foi tema de pesquisada encomendada pelo DIA ao Instituto Gerp, entre 23 e 29 de maio. Cerca de 88% dos 870 fluminenses e cariocas ouvidos são a favor da redução de idade. Este índice bate os 95% na região da Baixada Fluminense.

Segundo especialistas, os números refletem o impacto de crimes cruéis praticados por menores e com ampla repercussão na mídia, como os assassinatos do menino João Hélio, no Rio, e a de uma dentista queimada viva, em São Paulo.

O apoio da população à pena vitalícia chega a 68%. No entanto, a maioria condena a justiça feita pelas próprias mãos: 56% são contra a prática. A diminuição da maioridade penal, em tramitação no Congresso, segundo o psicanalista Carlos Mario, é reflexo de um mal-estar coletivo na sociedade.

“As pessoas têm um apurado senso de justiça. Querem que haja reciprocidade em todos os níveis. As formas de expressão desse descontentamento passa por uma reavaliação desses mecanismos legais”, disse.

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