Lindberg e Pezão devem dinheiro aos cofres públicos por multas

Infrações foram aplicadas pelo TCE

Por thiago.antunes

Rio - Caso sejam eleitos, candidatos a governador do Rio poderão começar uma nova gestão devendo dinheiro aos cofres públicos por irregularidades cometidas em suas administrações anteriores. É o que diz o sistema interno do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O senador Lindberg Farias (PT), por exemplo, deve R$ 28 mil em quatro multas aplicadas pelo TCE, no período em que foi prefeito de Nova Iguaçu.

O petista ainda recorre de outras cinco punições que, somadas, dão cerca de R$ 320 mil. Já o governador candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão (PMDB) ainda precisa quitar R$ 2,5 mil por irregularidade em um contrato firmado quando era prefeito de Barra do Piraí.

Entre as multas que o TCE considerou o ex-prefeito Lindberg culpado e que ainda não foram pagas, tem uma no valor de R$ 7.620 por uso indevido de recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Nova Iguaçu, em 2005. Existe ainda outra multa de R$ 6.350 por realização de despesa sem prévio empenho em uma licitação, em 2006.

Candidato do PT ao governo do Rio%2C o senador Lindberg Farias fez campanha ontem pelas ruas do centro da cidade sem a militância de seu partido André Mourão / Agência O Dia

Além disso, há duas condenações em que Lindberg recorreu e perdeu, mas também ainda não pagou. A primeira é uma punição de R$ 7.620 por não ter comprovado a economia em uma contratação direta ( sem licitação) em um convênio entre a prefeitura de Nova Iguaçu e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP). O acordo tinha o objetivo de prestação de serviços de desenvolvimento institucional, pesquisa e elaboração de plano de gestão estratégica para a administração pública, no valor de R$ 1.452.720, pelo prazo de 12 meses.

A outra multa do TCE a Lindberg foi relativa ao superfaturamento de R$ 198 mil em um contrato com a Fundação de Apoio à Universidade do Rio de Janeiro (Unirio) para a realização de consultoria para levantamento físico topográfico, econômico, social e fundiário de áreas, no valor de R$1,9 milhão. Segundo a auditoria do tribunal, houve irregularidade nos custos com o transporte por vans no acordo.

O ex-prefeito levou uma multa de R$ R$ 6.350 e uma “imputação de débito” (pena que o TCE aplica quando há desvio ou um contrato é mal feito) de R$ 295 mil pelo caso. Esta última está em recurso, assim como outras quatro multas que somam R$ 29 mil. Já o governador Pezão deve R$ 2,5 mil por ter feito dois procedimentos licitatórios para obras de contenção em Piraí de mesma natureza e executadas no mesmo local, que poderiam ter sido feitas ao mesmo tempo, segundo o TCE.

“Ele já foi lindinho, agora deu uma engordada”

O corpo a corpo de ontem, no Centro do Rio, foi de apresentações. Com seu cartãozinho na mão, o senador Lindberg Farias (PT), candidato ao governo do estado, deixou o Largo da Carioca à tarde, caminhou pela Uruguaiana e Rua do Rosário, chegando só à noite na Av. Rio Branco. “Não fique descrente na política. Peço que leia as nossas propostas, analise o que queremos para o estado”, dizia aos eleitores que demonstravam desconfiança.

A proximidade da sede do PT, que fica na Rua do Carmo, entretanto, não motivou a militância petista a comparecer, restando aos comunistas do PC do B o suporte ao candidato — bandeiras, só as da deputada Jandira Feghali. Lindberg sorriu, abraçou e beijou. A todos que paravam, entregava os cartões, com endereços nas redes sociais e site. “Distribua ao seus conhecidos”, pedia.

“Ele já foi lindinho, agora deu uma engordada”, analisava a entregadora Neide Maria de Lima, 60, moradora de Nova Iguaçu. “Mas se ele concorresse por lá, eu votaria de novo”, garantiu a senhora, sem se dar conta de que o senador concorre agora ao governo do estado.

Um vendedor que passava gritou: “Não votem nele!”. Ao DIA, limitou-se a justificar o protesto. “É melhor você ir a Nova Iguaçu e verificar pessoalmente.” Antes da caminhada, Lindberg falou sobre o caso de corrupção envolvendo o deputado federal Rodrigo Bethlem(PMDB), ex-secretário da prefeitura do Rio. “Eu assisti a um vídeo em que ele é apontado por Pezão como um grande candidato. Isso mostra o quanto Cabral e o governador representam o que há de velho e ultrapassado para o Rio”, afirmou.

Terminado o corpo a corpo, o senador caminhou pela Rio Branco em direção ao Largo da Carioca, sendo acompanhado apenas por um assessor. Passou anônimo, quase um desconhecido.

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